Resistências e reciprocidades no Sul de Portugal

Fev 19, 2021 | Capítulos, Publicações

Resistências e reciprocidades no Sul de Portugal

Excerto:
Este texto explora como os residentes de Monte da Pedra, uma freguesia rural do concelho do Crato (distrito de Portalegre, no Sul de Portugal), resistiram (e continuam a resistir) ao contexto de medidas de austeridade no país durante os anos da Troika e na actualidade. Em concreto, o texto explora processos de resistência quotidiana que se dão, de modo aparentemente invisível, em espaços rurais classificados como longínquos face às centralidades (urbanas, mediáticas, turísticas) da contemporaneidade neoliberal. Com base em pesquisa etnográfica realizada no sul de Portugal, argumenta-se que em lugares aparentemente mais remotos encontramos (entre mulheres e homens) modalidades de acção colectiva que configuram micro-tecnologias de subversão, formas auto-construídas de solidariedade, de resistência quotidiana à presente ordem neoliberal do capitalismo, como o recurso ao humor e esquemas colaborativos de reciprocidade vicinal. Com vista a ilustrar o presente argumento, apresentam-se cinco vinhetas etnográficas.

Sobre o livro:
Nesta obra, vários autores foram convidados a olhar para momentos do tempo em que, como escreveu Galeano, chove de baixo para cima. A partir de várias formações disciplinares, os investigadores que responderam ao repto olham para o tempo comum, para o dia anterior, para as rotinas que corroem, mas que também permitem sobreviver, para os fluxos de gente que se movimenta à procura de uma vida melhor, para a conquista da cidade e do espaço de reconhecimento, para as margens da vida, com as pequenas histórias das personagens secundárias, dos sobreviventes, dos subversivos, dos indígenas, daqueles que em narrativa estranha são entendidos como falhados, incompletos, fadados ao fracasso, irrelevantes. Conjugar o tempo longo, através da memória, do arquivo, da fotografia e da literatura, é um exercício a partir de um dado presente, num tempo de pandemia em que a duração parece ter coagulado. Contudo, convém retirar o tempo forte do baú, e escapar das debilidades presentistas do fim da história, do presente contínuo em que tudo parece confundir-se. A tanto nos propusemos, com esta obra destinada a interrogar os momentos de aceleração da história, os que os precedem e o lastro num tempo longo.

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