A História está na Escola! — Programa escolar do IHC para 2026/2027
O Programa de História na Esfera Pública do IHC retoma o projecto neste ano lectivo
IHC vai acolher 13 novos contratos CEEC da FCT
Seis na categoria de Investigador Júnior e sete na categoria Investigador Auxiliar
IHC renova os seus Órgãos Sociais e Coordenações
Rui Lopes é o novo Presidente da Direcção do IHC
PHONLAB dá origem a exposição permanente na Universidade de Coimbra
‘Ala Armando de Lacerda’ é inaugurada a 17 de Setembro
Notícias
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O Programa de História na Esfera Pública do IHC retoma o projecto neste ano lectivo -
Seis na categoria de Investigador Júnior e sete na categoria Investigador Auxiliar -
Exposição será inaugurada a 29 de Setembro na FCSH
Agenda
novembro , 2026
Tipologia do Evento:
Todos
Todos
Apresentação
Ciclo
Colóquio
Conferência
Congresso
Curso
Debate
Encontro
Exposição
Inauguração
Jornadas
Lançamento
Mesa-redonda
Mostra
Open calls
Outros
Palestra
Roteiro
Seminário
Sessão de cinema
Simpósio
Workshop

Detalhes do Evento
Congresso que propõe uma reflexão historiográfica e um debate multidisciplinar e transdisciplinar que enquadre o Hospital de São José nas dinâmicas internacionais do conhecimento médico e científico e nas transformações
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Detalhes do Evento
Congresso que propõe uma reflexão historiográfica e um debate multidisciplinar e transdisciplinar que enquadre o Hospital de São José nas dinâmicas internacionais do conhecimento médico e científico e nas transformações da medicina europeia.
250 anos do Hospital de São José:
Ciência, Saúde, Ensino e Inovação
Inaugurado em Abril de 1775, o Hospital Real de São José resultou da transferência do Hospital Real de Todos-os-Santos para o antigo Colégio de Santo Antão-o-Novo. Ao longo de dois séculos e meio de actividade clínica ininterrupta, esta instituição conheceu diferentes enquadramentos administrativos e designações – inicialmente como Hospital Real de São José e Anexos, constituindo posteriormente os Hospitais Civis de Lisboa, mais tarde Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, reflectindo as sucessivas reformas da assistência pública e da organização hospitalar em Portugal. Actualmente, integra a Unidade Local de Saúde de São José, assegurando a continuidade de uma missão assistencial, científica e formativa iniciada no século XVIII.
No contexto das comemorações do seu 250.º aniversário, o Hospital de São José (HSJ), em parceria com o Instituto de História Contemporânea (IHC) e com o laboratório associado IN2PAST, organiza o congresso 250 anos do Hospital de São José: Ciência, Saúde, Ensino e Inovação, a realizar-se nos dias 5 e 6 de Novembro de 2026, no Salão Nobre do Hospital de São José, em Lisboa.
Com papel ímpar na História da Medicina Portuguesa, o Hospital afirmou-se como uma instituição central na assistência hospitalar portuguesa, em estreita articulação com os grandes centros médicos europeus. Inserido nas redes internacionais de circulação do conhecimento, foi receptor e difusor de inovações científicas – nas práticas clínicas, nas técnicas médicas e cirúrgicas, na organização hospitalar e nas políticas de saúde pública, acompanhando as transformações científicas, políticas e socio-culturais dos séculos XVIII, XIX e XX, tendo desempenhando um papel determinante na modernização da medicina em Portugal.
A sua dimensão formativa esteve intimamente ligada à criação da Real Escola de Cirurgia de Lisboa (1825), à fundação da Escola Médico-Cirúrgica (1836) e, em 1911, com a Primeira República, à criação da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, sua herdeira directa. Ao longo deste percurso, o Hospital destacou-se como espaço de formação e de experimentação, contribuindo para o desenvolvimento e consolidação de diversas especialidades médicas e biomédicas, bem como para a definição do perfil das profissões da área da saúde.
A história institucional do Hospital, nas suas várias configurações administrativas, reflecte amplos processos de internacionalização científica, de circulação do conhecimento e de institucionalização de modelos médicos e hospitalares. A instituição afirmou-se, assim, como um verdadeiro laboratório clínico e pedagógico, acompanhando as transformações do ensino médico e contribuindo para a integração de Portugal nas redes transnacionais da ciência e da medicina modernas.
Oradoras convidadas: Leonor Manaças (ULS São José) e Marta Lourenço (MUHNAC / ULisboa)
Chamada para comunicações
Este congresso propõe uma reflexão historiográfica e um debate multidisciplinar e transdisciplinar que enquadre o Hospital nas dinâmicas internacionais do conhecimento médico e científico e nas transformações da medicina europeia. Incentiva-se, em particular, o estudo dos processos de transferência e adaptação de inovações científicas e técnicas; a recepção de influências externas; o posicionamento institucional e dos seus actores; as práticas médicas; as reformas e regulamentos sanitários; e os modelos hospitalares associados à instituição ao longo do tempo.
Convida-se todos os interessados/as a submeter propostas no âmbito dos seguintes eixos temáticos:
- Circulação e transmissão do conhecimento médico e científico
- Redes transnacionais e intercâmbios científicos e profissionais
- Espaços e actores científicos
- Inovação científica e técnica na prática hospitalar
- Formação, desenvolvimento e consolidação de áreas científicas e especialidades médicas
- O Hospital de São José no contexto internacional
- Articulação entre dinâmicas locais e correntes internacionais da medicina
- Formação e ensino numa perspetiva transnacional
- Museus e Património Histórico Hospitalar
A selecção das propostas será realizada pelos membros da Comissão Científica, sendo orientada pelo objectivo de garantir o máximo de qualidade, relevância e originalidade dos trabalhos.
As propostas de comunicação devem ter até 300 palavras e ser acompanhadas de uma breve nota biográfica do/a/s autor/a/s (máximo de 150 palavras), com indicação da afiliação institucional e contactos.
As propostas devem ser submetidas através do formulário disponível NESTE LINK.
Calendário:
Data limite de submissão: 27 Abril 2026 31 Maio 2026 [nova data]
Notificação de aceitação: 29 Maio 2026 30 Junho 2026
Comissão Organizadora:
Alexandra Marques, IHC – Universidade de Évora / IN2PAST
Ângela Salgueiro, Universidade de Évora / IHC / IN2PAST
Carlos Boavida, ULS São José
Fátima Palmeiro, ULS São José
Quintino Lopes, Universidade de Évora / IHC / IN2PAST
Tempo
5 (Quinta-feira) 10:00 am - 7 (Sábado) 12:30 pm
Organizador
Instituto de História Contemporânea — Universidade de Évora e Unidade Local de Saúde de São José

Detalhes do Evento
Lançamento do mais recente livro da colecção Estratégica da Imprensa de História Contemporânea, da autoria de Fátima Sá e Melo Ferreira. Apresentação
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Lançamento do mais recente livro da colecção Estratégica da Imprensa de História Contemporânea, da autoria de Fátima Sá e Melo Ferreira. Apresentação por Miriam Halpern Pereira, José Neves, Javier Fernández Sebastián e Jordi Canal, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Revolução, Contra-Revolução e Política Popular em Portugal
Nesta coletânea reúnem-se textos de Fátima Sá e Melo Ferreira escritos ao longo de cerca de quarenta anos e publicados em revistas, livros e dicionários em Portugal, Espanha, França, Itália e América Latina. Muitos tinham-se tornado de difícil acesso. O que os une é a longa fidelidade da autora a um conjunto de temas: a mobilização e a política populares, a cultura plebeia e a contra-revolução, entre os finais do século XVIII e o século XIX.
O livro está organizado em quatro partes. A primeira trata da política popular e da politização, da revolta da Maria da Fonte às festas liberais e contra-revolucionárias. A segunda ocupa-se das relações entre religião e política, como a luta contra os cemitérios públicos e os «cismas» da Igreja portuguesa. A terceira é dedicada a D. Miguel e ao miguelismo, com os seus exílios, duplos e o «terror miguelista». A última explora os conceitos e a linguagem política de Oitocentos: revolução, ordem, povo, povos e multidão. São abordagens que vão da história política à história cultural e à história dos conceitos.
Com prefácio de Jordi Canal (EHESS) e posfácio de Javier Fernández Sebastián, o volume oferece uma visão moderna e contextualizada internacionalmente da contra-revolução e da política popular em Portugal. Edição da Imprensa de História Contemporânea, disponível também em acesso aberto.
Estará brevemente disponível no website da Imprensa de História Contemporânea do IHC.
Tempo
(Terça-feira) 6:00 pm - 7:30 pm
Organizador
Imprensa de História Contemporânea e Biblioteca Nacional de Portugal

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Lançamento do livro de Maria José Oliveira, resultante da sua investigação de doutoramento no IHC. Apresentação por Fernando Rosas, no Museu do Aljube,
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Lançamento do livro de Maria José Oliveira, resultante da sua investigação de doutoramento no IHC. Apresentação por Fernando Rosas, no Museu do Aljube, em Lisboa.
A las Barricadas: Os Portugueses na Guerra Civil de Espanha
A primeira grande investigação transnacional sobre os portugueses que combateram pela República em Espanha e foram vítimas da repressão franquista.
Quão estranho é pensar num jornaleiro nascido na aldeia de Bogas de Cima armado com uma caçadeira e cartuchos de dinamite, pronto para combater nas montanhas asturianas por um país onde não nasceu?
Os protagonistas deste livro viviam em Espanha em Julho de 1936, quando eclodiu a guerra civil: são homens e mulheres que lutaram contra o golpe militar, que pegaram em ferramentas e armas de caça, que foram para as linhas de fogo com as roupas do trabalho. Nasceram em Portugal, mas foi em Espanha que constituíram família, que saltaram de emprego em emprego, que ganharam consciência política. E foi por esse país que sofreram e morreram, vítimas da justiça militar franquista e do vasto catálogo repressivo da ditadura.
A partir das suas histórias individuais, numa investigação transnacional que durou oito anos, A las Barricadas resgata da invisibilidade vidas de diáspora e resistência, dá nome e biografia a portugueses que foram presos, condenados à morte ou a longas penas de reclusão, repatriados, espoliados de bens e dinheiro, submetidos a trabalhos forçados e obrigados ao exílio.
Mais informações sobre o livro
Tempo
(Quarta-feira) 6:00 pm - 7:00 pm
Organizador
Edições Tinta da China e Museu do Aljube

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Grupo de discussão de ficção científica aberto a toda a comunidade NOVA, com o foco em obras que interroguem o futuro e o próprio processo de ficcionar. Nas Margens
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Grupo de discussão de ficção científica aberto a toda a comunidade NOVA, com o foco em obras que interroguem o futuro e o próprio processo de ficcionar.
Nas Margens do Possível:
um grupo de discussão de ficção científica
Nas Margens do Possível é um grupo de discussão de ficção científica dirigido aos membros da comunidade alargada da Universidade NOVA de Lisboa. Uma vez por mês, investigadores/as, estudantes e outros trabalhadores/as interessados na ficção científica enquanto categoria literária, histórica, e artística, reúnem-se para explorar as dimensões narrativas e visuais de obras seleccionadas. O foco do grupo será em obras que interroguem o futuro e o próprio processo de ficcionar, tanto através da especulação perspectiva como da prospectiva. Interessa-nos examinar tanto a sua dimensão histórica como o seu potencial para imaginar o futuro, mapeando os padrões complexos de relação entre humanos e mais-que-humanos que estão na génese de muitas destas histórias e da sua articulação com a sociedade. O programa alterna entre livros, ensaios e filmes para permitir uma discussão sobre as formas diversas de narração deste género, procurando, também, uma justaposição de temas, abordagens e metodologias para pensar as paisagens temporais expressas na ficção científica que permitam, por um lado, análises contextuais e cumulativas e, por outro, a construção de novos processos colaborativos de trabalho entre os intervenientes.
Curadoria: Hélia Marçal e Rui Lopes
Organização: Instituto de História da Arte e Instituto de História Contemporânea (NOVA FCSH)
Programa 2026
14 de Outubro: Os Despossuídos (The Dispossessed), Ursula K. Le Guin (1974). Introdução por Rui Lopes.
11 de Novembro: “Venus in Two Acts,” Small Axe, Saidiya Hartman (2008). Introdução por Hélia Marçal
9 de Dezembro: Quest, realizado por Saul Bass, Elaine Bass (1984). Com visualização do filme. Introdução por Rui Lopes e Hélia Marçal.
Apoios: Este grupo é apoiado pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito dos projectos UID/00417/2025 (DOI https://doi.org/10.54499/UID/00417/2025), UID/04209/2025 (DOI: https://doi.org/10.54499/UID/04209/2025), LA/P/0132/2020 (DOI: https://doi.org/10.54499/LA/P/0132/2020), e contratos 2023.11076.TENURE.193 e 2023.11076.TENURE.202.
Tempo
(Quarta-feira) 6:30 pm - 8:00 pm
Localização
NOVA FCSH, Colégio Almada Negreiros, Sala 215
Campus de Campolide da NOVA — 1099-085 Lisboa
Organizador
Instituto de História Contemporânea — NOVA FCSH e Instituto de História da Arte — NOVA FCSH

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Encontro informal organizado pelo Grupo de Investigação em Cultura. Conversa com Raquel Schefer durante um almoço na copa do Colégio Almada Negreiros. Inquietações Apetitosas O encontro
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Encontro informal organizado pelo Grupo de Investigação em Cultura. Conversa com Raquel Schefer durante um almoço na copa do Colégio Almada Negreiros.
Inquietações Apetitosas
O encontro Inquietações Apetitosas é um novo evento organizado pelo Grupo de Investigação “Cultura: Poder, Mediações e Artes” do Instituto de História Contemporânea. Aberto a todas as pessoas do grupo, mas também a qualquer pessoa que deseje participar, o encontro será a ocasião para uma breve apresentação da pessoa convidada, geralmente de passagem ou recém chegada ao IHC, e que partilhará a seguir algumas “inquietações” dos seus trabalhos de investigação.
O primeiro encontro será com Raquel Schefer (Université Sorbonne Nouvelle / Universidade NOVA de Lisboa) e terá lugar entre as 12h30 e as 14h no dia 12 de Novembro, na copa do Colégio Almada Negreiros (3º andar).
Tragam o vosso almoço!
Tempo
(Quinta-feira) 12:30 pm - 2:00 pm
Organizador
Instituto de História Contemporânea da Universidade NOVA de Lisboa e Universidade de Évora

Detalhes do Evento
Com vista à profusão de questionamentos, mais do que à sua resolução, a IV Counter-Image propõe explorar a terra não como tema, mas como onto-episteme. Counter-Image International Conference
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Detalhes do Evento
Com vista à profusão de questionamentos, mais do que à sua resolução, a IV Counter-Image propõe explorar a terra não como tema, mas como onto-episteme.
Counter-Image International Conference 2026
Como falar com(o) a terra? Conhecimentos situados, métodos para desnomear e visões do umbral
A pergunta “Como falar com(o) a terra?” não é uma metáfora, mas uma urgência política, ontológica e epistémica diante do colapso ecológico, do esgotamento das gramáticas antropocêntricas e dos modelos de representação do regime colonial-capitalista e o seu paradigma de expansão e ocupação da terra – a plantação, cuja lógica de extração, objetificação e extinção perdura (Le Petitcorps et al. 2023; Bastos 2020; Thomas 2019; Haraway 2015; Tsing 2015, McKittrick 2013; Mirzoeff 2011; Stoler 2008, 2016; Hartman 2007). Os Pós com que insistimos em nomear um mundo (ainda) não superado – pós-colonialismo, pós-modernismo, pós-humanismo estão a ser substituídos pelo prefixo Geo (Pratt 2025, 2022; Coelho & Ponce de Léon 2025; Krieger 2022; Ray 2019, 2026; Latour 2018; Povinelli 2016). O “advento do Geo”, esclarece Mary Louise Pratt (2025), marca uma mudança de escala (do global para o planetário), de imaginário (do político para o ecológico) e de tempo (do histórico para o “tempo profundo” geológico). Esta condição requer o questionamento do que tomamos por garantido e formas outras de pensar e produzir conhecimento que Gabriela Milone e Franca Maccioni, em “The Land of Language, the Language of the Earth” (2025), iluminaram como “geo-logia” (a linguagem da terra) e “geo-grafia” (a escrita da terra). Tal implica “falar com a terra” em vez de “sobre a terra” e em termos de “semelhança” em vez de “diferença” – um “trabalho de imaginação” e “experimentação”. De subjetivação em vez de objetificação (Kopenawa 2010). De fusão em vez de ocupação (Krenak 2022).
“Como falar com(o) a terra” é então inseparável da questão de como a terra foi constituída como objeto, recurso e imagem e disso nos fala o conto de Ursula K. Le Guin, Ela tira-lhes os nomes (1985). Sobre o impulso colonial de nomear e identificar sem cuidado, criando fronteiras artificiais, ao mesmo tempo que nos exorta a encontrar formas de falar com outras criaturas. Falar “com” ou “como” em vez de “sobre” sinaliza um deslocamento epistemológico e exige-nos repensar a sua nomeação, mediação e representação. E se a terra não fosse o referente do discurso, mas a sua condição? E se a possibilidade de falar com(o) ela abrisse um espaço entre o individual e o múltiplo, entre o território situado e a totalidade planetária? Esta dialética é metodológica: uma prática de “desnomeação” – de erosão da semântica objetificante, extrativista e extintora. Se a terra foi mapeada, renomeada e cercada (e a propriedade privada criada), ela é também resistência, cosmopercepção e ritual.
A IV Counter-Image propõe explorar a terra não como tema, mas como onto-episteme. Não a linguagem universal e logocêntrica (que teima em separar o sujeito do objeto), mas antes conhecimentos situados, enraizados nos territórios, corpos e relações que habitam as frestas da colónia e do capital. Não a semântica antropocêntrica da ciência positivista e da sua fictícia objetividade, mas antes métodos para desnomear que suspendam as taxonomias coloniais e permitam que o solo, o fóssil, o animal, a planta, a pedra, a árvore, o rio, a montanha, o líquen, o fungo se apresentem na sua singularidade irredutível e também em proximidade. Não a pseudo “visão de lugar nenhum”, mas antes as visões do umbral, aquelas fabricadas a partir do pial das casas das nossas avós ou nas horas crepusculares, em imagens dialéticas e incandescentes de sínteses impossíveis.
Palestrantes:
Gabriela Milone e Franca Maccioni (Universidade Nacional de Córdoba, Argentina)
Felipe Milanez (Universidade Federal da Bahia, Brasil)
Chamada para comunicações
Com vista à profusão de questionamentos, mais do que à sua resolução, a IV Counter-Image pergunta: o que significa pensar com(o) a terra em vez de sobre ela? É possível traduzir a linguagem da terra, dos animais, das plantas, dos minerais? É a “desnomeação” um método filosófico-estético? Como é que as visões do umbral suspendem os regimes extrativos de representação? Que práticas artísticas resistem, reconfiguram ou perturbam os regimes coloniais sobre a terra? Como dar vida a formas de pertença, cuidado e reparação com vista a um mundo pós-extrativista? Ancorada no território do Algarve, mas expandindo ligações a outros territórios, convidamos investigadores, artistas, ativistas e ensaístas a submeterem propostas que dialoguem com os seguintes eixos temáticos:
1. Conhecimentos Situados
Como e o que é que a terra lembra? Este eixo acolhe trabalhos ancorados em composições relacionais e geo-subjectividades que desafiam a “visão de lugar nenhum”, bem como a incerteza, a falha e a contradição, encorajando a conexão entre pesquisa e experiência vivida.
- Terricidio” (Millán 2024) e buen vivir
- Epistemologias artesanais (Farago et al 2025) e epistemologias do Sul
- Ecologias decoloniais, anti-extrativistas, ecofeministas, queer e trans
- “Ecologias exílicas” (Marder 2023)
- Cosmopolíticas indígenas e afro-diaspóricas
- O baldio e o quilombo/quilombismo (B. Nascimento 1977, A. Nascimento 1980)
- “Arquivos Insurgentes” (Biehl 2022) e contra-cartografias
- Lutas ambientais, os seus lutos e justiça multiespécie
- Crítica às taxonomias Lineanas e biopolíticas
- Histórias ambientais, políticas da paisagem e “piropolítica” (Marder 2020)
2. Métodos para Desnomear
Se nomear é colonizar, como podemos desnomear para aproximar? Este eixo acolhe trabalhos sobre geo-semânticas e experimentações metodológicas e pedagógicas que erodam o olhar extrativista e especista.
- Desnomear como método filosófico-estético
- Poéticas do silêncio e escuta profunda
- Caminhar como método e “ver com o corpo todo” (Cusicanqui 2015)
- Ontologias fósseis (Castro 2023), minerais e animais
- Geo-estéticas (Coelho & Ponce de Léon 2025; Krieger 2022; Ray 2019), incluindo vulcânicas e das ervas ditas daninhas
- Estéticas e “alianças líquidas” (Mendes & Garcia-Antón 2026)
- Narrativas de relacionalidade e métodos multiespécie
- Contracolonizar (Nêgo Bispo 2015)
- Arte como laboratório de pensamento (e não como representação)
- Cinema animista e montagens visuais anti-extrativistas e anti-especistas
3. Visões do Umbral
Como habitar o umbral e mover-se entre mundos? Neste eixo acolhemos as formas que excedem os preceitos dualistas do Plantationoceno/Capitaloceno – as geo-coreografias que nos conduzem ao alargamento de afinidades e alianças.
- Epistemologias do umbral
- “Dark ecology” (Morton 2016), deep time e temporalidades submersas
- Ecologia popular
- Agência não-humana e a redistribuição do sensível
- “Ruínas do Plantationoceno/Capitaloceno” (Tsing 2015)
- “Zonas intersticiais” (Gomez-Barris 2017), conhecimentos ribeirinhos e da beira-mar
- Imagens dialéticas (Benjamin 1940) e “peles de imagens” (Kopenawa 2010)
- Visões “ch’ixi” (Cusicanqui 2015)
- “Alianças afetivas” (Krenak 2022)
- “Florestania” (Krenak 2022) e “lutas com a floresta” (Milanez 2024)
Datas importantes:
25 de Maio | envio de propostas
30 de Junho | notificação de aceitação
18-20 de Novembro | conferência
Formatos de submissão:
1. Comunicações (pesquisas teóricas ou empíricas): sumário até 300 palavras
2. Intervenções artísticas (performances, leituras poéticas): memória descritiva até 300 palavras
3. Rodas de conversa, oficinas, caminhadas de escuta, cartografias afetivas: memória descritiva até 300 palavras
O sumário (em português, espanhol ou inglês) deve fazer-se acompanhar de uma biografia breve (até 100 palavras) para: counterimageconference@fcsh.unl.pt
>> Descarregar a chamada para comunicações (PDF) <<
Comissão organizadora
Inês Beleza Barreiros (ICNOVA — NOVA FCSH / CIAC — Universidade do Algarve)
Liliana Coutinho (IHC — NOVA FCSH / IN2PAST)
Maria do Carmo Piçarra (ICNOVA — NOVA FCSH)
Salomé Lopes Coelho (ICON — Utrecht University / ICNOVA — NOVA FCSH)
Sílvia Leiria Viegas (CIAC — Universidade do Algarve)
Teresa Castro (IRCAV — Sorbonne Nouvelle / ICNOVA — NOVA FCSH)
Teresa Mendes Flores (ICNOVA — NOVA FCSH)
Comissão Científica
Ana Lúcia Marsillac (Universidade Federal de Santa Catarina)
Bruno Mendes da Silva (CIAC, Universidade do Algarve)
Cristiana Bastos (Instituto de Ciências Sociais)
Filippo Di Tomasi (ICNOVA — NOVA FCSH)
Iacã Macerata (Universidade Federal de Santa Catarina)
Isabel Stein (ICNOVA — NOVA FCSH)
Leila Lehnen (Brown University)
Luís Trindade (IHC — NOVA FCSH / IN2PAST)
Margarida Brito Alves (IHA — NOVA FCSH)
Margarida Mendes (ICNOVA — NOVA FCSH)
María Gloria Robalino (Washington University St. Louis)
Maria Teresa Cruz (ICNOVA — NOVA FCSH)
Marita Sturken (New York University)
Maura Castanheira Grimaldi (ICNOVA — NOVA FCSH)
Mirian Nogueira Tavares (CIAC — Universidade do Algarve)
Patrícia Martins Marcos (University of Oklahoma)
Patrícia Martinho Ferreira (Brown University)
Paulo Nuno Vicente (ICNOVA — NOVA FCSH)
Rui Gomes Coelho (Durham University)
Susanne Knittel (ICON — Utrecht University)
Tempo
novembro 18 (Quarta-feira) - 20 (Sexta-feira)
Organizador
Várias instituições
Publicações
Emoções e Poder na Península Ibérica: Ensaios de Sociologia Histórica
História Pública em Portugal: Desafios, Práticas e Experiências
Recensão a ‘Women’s History at the Cutting Edge’
Recensão crítica de Giulia Strippoli ao livro Women’s History at the Cutting Edge, editado por Teresa Bertilotti, sobre história das mulheres.
Recensão a ‘Subterranean Fanon’
Recensão crítica de Manuela Ribeiro Sanches à obra Subterranean Fanon, escrita por Gavin Arnall, sobre Frantz Fanon.
A propósito dos debates sobre o populismo
Artigo de Fernando Dores Costa, publicado na revista Práticas da História, que analisa o fenómeno do populismo.
Administrar para manter o regime
Capítulo da Ana Carina Azevedo, incluído no livro Construção do Estado, Movimentos Sociais e Economia Política, sobre a reforma da administração pública.
Pesquisa
Notícias
A História está na Escola! — Programa escolar do IHC para 2026/2027
12 Out 2026
O Programa de História na Esfera Pública do IHC retoma o projecto neste ano lectivo
IHC vai acolher 13 novos contratos CEEC da FCT
9 Out 2026
Seis na categoria de Investigador Júnior e sete na categoria Investigador Auxiliar
IHC apoia exposição sobre a Guerra Civil de Espanha
24 Set 2026
Exposição será inaugurada a 29 de Setembro na FCSH
Oportunidades
Investigador/a Júnior — Projecto PETROSINES
30 Out
Prazo: 30 Outubro 2026



