“Qual é o valor da tua ferramenta?”

Fev 19, 2021 | Capítulos, Publicações

“Qual é o valor da tua ferramenta?” Economia política e conflitos sociais durante o PREC (1974-75)

Excerto:
É bem conhecida a máxima de Frederic Jameson (1994), segundo a qual se tornou mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. Este diagnóstico encontrou um sólido ponto de ancoragem nos acontecimentos que puseram fim ao “Socialismo Real” na Europa do Leste. Para lá dos seus efeitos geopolíticos, a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética contribuíram para reforçar a ideia de que a propriedade privada e a competição correspondem à ordem natural das coisas. Data de então a tese de Francis Fukuyama (1989), segundo a qual o Liberalismo se teria convertido no derradeiro estágio da evolução política, para lá do qual se tornaria impensável imaginar senão um retrocesso para formas menos dinâmicas e mais coercivas de organizar a vida social. E, ainda que não faltem declarações em sentido contrário, o facto é que a ideia de “fim da história” parece ter ganho raízes profundas, tanto à direita como à esquerda, no seio da qual se discute intensamente a melhor forma de gerir o capitalismo, mas raramente se descortina a veleidade de o substituir por outra coisa qualquer..

Sobre o livro:
Nesta obra, vários autores foram convidados a olhar para momentos do tempo em que, como escreveu Galeano, chove de baixo para cima. A partir de várias formações disciplinares, os investigadores que responderam ao repto olham para o tempo comum, para o dia anterior, para as rotinas que corroem, mas que também permitem sobreviver, para os fluxos de gente que se movimenta à procura de uma vida melhor, para a conquista da cidade e do espaço de reconhecimento, para as margens da vida, com as pequenas histórias das personagens secundárias, dos sobreviventes, dos subversivos, dos indígenas, daqueles que em narrativa estranha são entendidos como falhados, incompletos, fadados ao fracasso, irrelevantes. Conjugar o tempo longo, através da memória, do arquivo, da fotografia e da literatura, é um exercício a partir de um dado presente, num tempo de pandemia em que a duração parece ter coagulado. Contudo, convém retirar o tempo forte do baú, e escapar das debilidades presentistas do fim da história, do presente contínuo em que tudo parece confundir-se. A tanto nos propusemos, com esta obra destinada a interrogar os momentos de aceleração da história, os que os precedem e o lastro num tempo longo.

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