
Quando é que a revolução acabou?
Mai 3, 2019 | Capítulos, Publicações

Quando é que a revolução acabou?
- Joana Craveiro
- Insistir con la esperanza. El compromiso social y político del intelectual
- Pablo Pozzi & Paula Godinho (Orgs.)
- 2019
- Buenos Aires: CLACSO
- Idioma: Português
- ISBN: 978-987-722-411-5
- 249-264 p.
Excerto:
Pedindo de empréstimo a Paula Godinho a sua bela reflexão sobre “os espaços deixados incultos, entre campos cultivados” que “são também os pontos de viragem dos bois que aram, ou do trator que os substitui”, sendo que, “sem esse espaço liminar, arredado do cultivo, este não pode realizar-se” (2017: 338-9), situo-me antes de mais num espaço de liminaridade. Estou imersa na noção de “guião denso”, que peço igualmente de empréstimo, desta feita a Clifford Geertz (1973), consciente desse fértil (mas frágil) espaço entre disciplinas e formas de escrita onde me movo, que habito. Recuso, como Godinho também refere o “fechamento analítico” e abraço o “entrelaçamento de escalas” (idem).
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Detalhes do Evento
Encontro que procura estimular a partilha, convocando a voz das trabalhadoras e a força do arquivo como uma ferramenta viva de conhecimento, aprendizagem e transformação. Nós Estamos Contigo na
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Encontro que procura estimular a partilha, convocando a voz das trabalhadoras e a força do arquivo como uma ferramenta viva de conhecimento, aprendizagem e transformação.
Nós Estamos Contigo na Casa
Trabalho doméstico e acção coletiva — Arquivos, memórias, testemunhos
A constituição de uma economia global dos cuidados e dos serviços domésticos tornou-se, nas últimas décadas, um dos elementos centrais para compreender as transformações do trabalho nas sociedades capitalistas (Ehrenreich e Hochschild, 2002; Lutz, 2011). Este processo de “divisão internacional do trabalho reprodutivo” (Parreñas, 2001; Anderson, 2007) é exemplo da forma como desigualdades históricas se reconfiguraram e aprofundaram na transição dos contextos coloniais para a pós-colonialidade (Cox, 2006; Sartri, 2008). A ausência de políticas públicas de cuidado, combinada com a desregulação do mercado de trabalho e a escassez de mão de obra no sector, produziu um cenário de precarização laboral e social em que género, etnicidade e classe se entrecruzam. A preferência dos empregadores por trabalhadoras migrantes — muitas vezes sem autorização de residência — tem permitido a formação de uma nova classe servil, caracterizada por vínculos frágeis, quase ausência de direitos e baixas remunerações (Giordano, 2022).
Este quadro de vulnerabilidade estrutural alimenta a ideia de que o trabalho doméstico e de cuidados seria marcado por invisibilidade social e por uma suposta incapacidade de mobilização colectiva. Contudo, esta leitura tende a obscurecer a longa história de resistências e de experiências organizativas protagonizadas por estas trabalhadoras. Desde o século XIX, múltiplos exemplos de reivindicações laborais e de luta contra práticas opressivas demonstram que o sector, longe de ser inorganizado, tem sido palco de diversas formas de mobilização por melhores condições de trabalho (Anderson, 2001; Boris e Nadassen, 2008; Gutiérrez-Rodríguez, 2010). Recuperar e reflectir sobre essa trajectória histórica não é apenas um exercício de memória, mas um passo necessário para reinscrever o trabalho doméstico e de cuidados na história global das lutas laborais, desafiando narrativas que procuram naturalizar a sua subalternidade.
O título deste encontro é retirado de uma carta enviada por uma trabalhadora doméstica ao seu sindicato, guardada num arquivo, sem data, sem remetente ou destinatário, apenas com uma anotação, escrita à mão: arquivo. É nela que se lê: “E nunca penses que estás só, nós estamos contigo na casa onde exercemos a profissão”.
Tomámos como inspiração para este encontro este pequeno excerto, parte de um texto que faz a descrição, na primeira pessoa, da migração precoce para a cidade de Lisboa, para servir em casa alheia, aos sete anos.
O trabalho sobre arquivos de organizações de trabalhadoras e a ampliação da atenção sobre sindicalismo à realidade do serviço doméstico tem merecido crescente atenção nos últimos anos, um pouco por todo o mundo, também sob o impulso de um renovado interesse pela intersecção, na esfera do trabalho doméstico remunerado, das desigualdades de género, classe e migrações. Neste encontro, que terá lugar nos dias 6 e 7 de Fevereiro de 2026 em Lisboa, abrimos um espaço para, a partir do projeto A Voz das Trabalhadoras: Os Arquivos do Sindicato do Serviço Doméstico (1974-1992), reunir contributos que, vindos de diferentes geografias e campos de prática, se cruzem em torno do trabalho doméstico, de cuidado e de limpeza — e da sua articulação com formas de ação colectiva, cooperativismo, sindicalismo, e construção de memória.
>> Inscrição (gratuita mas obrigatória)
Chamada para comunicações
Assim, tendo como principal ponto de partida a imersão em arquivos do sindicalismo, de experiências de auto-gestão e de cooperativismo no serviço doméstico, convidamos à submissão de propostas que se debrucem sobre os diversos repertórios de organização e luta adoptados por trabalhadoras e trabalhadores deste sector/actividade, que incidam sobre história oral ou pesquisas em arquivos, na narração de experiências e auto-representações das condições e contextos laborais.
Procurando estabelecer um diálogo transnacional e interdisciplinar destas experiências, aceitam-se contribuições nos seguintes eixos:
- Práticas de arquivo de/ sobre trabalho doméstico;
- Fluxos migratórios, cidadania, género e racialização no trabalho doméstico, de limpeza e de cuidados;
- Acção coletiva, cooperativismo e sindicalismo de trabalho doméstico.
Este encontro procura estimular a presença e partilha entre activistas, artistas, investigadoras/es, trabalhadoras/es e sindicatos — convocando a voz das trabalhadoras e a força do arquivo como uma ferramenta viva de conhecimento, aprendizagem e transformação.
Assim, convidamos ao envio de propostas oriundas de diferentes campos disciplinares e com diferentes abordagens metodológicas, saudando o cruzamento de perspectivas. O encontro acolhe propostas vindas de:
- artistas (performance, teatro, audiovisual);
- investigadores/as, arquivistas, ativistas e estudantes;
- trabalhadoras do sector doméstico e de cuidados (colectivos, cooperativas, sindicatos).
Envio de pequenos resumos (máx. 500 palavras), com uma breve biografia, até ao dia 10 de Novembro de 2025.
Submissões para encontro.trabalhodomestico2026@gmail.com.
Idiomas aceites: Português, espanhol e inglês
>> Descarregar a chamada para trabalhos (PDF) <<
Locais do encontro: NOVA FCSH e Centro Cultural Cabo Verde
Organização: CICS.NOVA e IHC
Comissão organizadora
Ackssana Silva
Elsa Nogueira
Inês Brasão
José Soeiro
Mafalda Araújo
Nuno Ferreira Dias
Tempo
6 (Sexta-feira) 9:00 am - 7 (Sábado) 7:00 pm
Localização
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e Centro Cultural de Cabo Verde
Organizador
Instituto de História Contemporânea e CICS.NOVA — Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa

Detalhes do Evento
O livro de Ricardo Noronha, sobre o 25 de Novembro de 1975, vai ser apresentado em Faro, no Instituto Português do Desporto
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Detalhes do Evento
O livro de Ricardo Noronha, sobre o 25 de Novembro de 1975, vai ser apresentado em Faro, no Instituto Português do Desporto e Juventude.
A Ordem Reina Sobre Lisboa. Uma história do 25 de Novembro
A CÍVIS, Associação para o o Aprofundamento da Cidadania, dia 6 de fevereiro, em Faro, a apresentação do livro “A Ordem reina sobre Lisboa. Uma história do 25 de Novembro”, da autoria de Ricardo Noronha.
A sessão terá lugar no auditório do IPDJ, a partir das 18h30, com entrada livre, e assinala a apresentação pública da obra editada pela Tigre de Papel, em Novembro de 2025.
A CÍVIS convida todas e todos os cidadãos a participarem nesta apresentação, de entrada livre, sublinhando a importância do debate para uma melhor compreensão do significado histórico e político do 25 de Novembro.
Sobre o livro:
Este livro aproveita a efeméride cinquentenária para explorar algumas hipóteses e interrogações relativas ao 25 de Novembro, procurando identificar tanto aquilo que se apresenta como indisputável quanto as inúmeras questões que permanecem em aberto. É também uma tentativa de abrir a interpretação do processo revolucionário a formas de imaginação histórica distintas das que têm caraterizado boa parte da paisagem editorial. Ao privilegiar os acontecimentos ocorridos nas ruas, ou dentro dos quartéis, em relação aos que tiveram lugar nos gabinetes ministeriais, ou dentro dos estados-maiores, a reconstrução dos acontecimentos que aqui se apresenta procura compreender o 25 de Novembro enquanto um episódio de insubordinação militar plenamente alinhado com os repertórios de conflituosidade social e de radicalização política que caraterizaram a Revolução Portuguesa de 1974-75.
Mais informações sobre o livro
Tempo
(Sexta-feira) 6:30 pm - 7:30 pm
Localização
Instituto Português do Desporto e Juventude — Faro
Rua da Policia da Seguranca Publica, 1 — 8000-151 Faro
Organizador
CÍVIS e Instituto Português do Desporto e Juventude
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