
O abastecimento de água à Figueira da Foz em finais de Oitocentos
Abr 18, 2017 | Livros, Publicações

O abastecimento de água à Figueira da Foz em finais de oitocentos
- José Manuel Brandão & Pedro M. Callapez
- 2017
- Figueira da Foz: Município da Figueira da Foz
- ISBN: 978-972-9140-89-1
- Depósito Legal: 421835/17
- Idioma: Português
Sinopse:
Elevada a cidade em 1882, a Figueira da Foz tornou-se numa pequena estância turística da Belle Époque com os seus casinos e praias de banhos, desenvolvendo-se de forma ancorada em actividades portuárias e piscatórias. Contudo, o desenvolvimento do último quartel de oitocentos trouxe também o problema da sazonalidade e do forte crescimento populacional a ela associado, implicando graves carências no abastecimento público em água potável, sobretudo nos períodos balneares.
Até então, o abastecimento doméstico e o das constantes aguadas aos navios que demandavam o porto, eram assegurados por alguns poços e fontanários alimentados por uma rede de distribuição que remontava ao século XVIII, a par de pequenas nascentes e minas, insuficiente portanto, nas novas condições. Consciente da situação, António Santos Rocha (1853-1910), causídico figueirense, então líder do Conselho Municipal, convida Joaquim Filipe Nery Delgado (1835-1908), membro da Comissão Geológica do Reino, a proceder aos estudos necessários para uma resolução duradoura do problema.
O projecto pioneiro apresentado pelo geólogo em 1880, foi adjudicado em 1886 a dois empresários ingleses que, para o efeito, constituíram em Londres a The Anglo Portuguese Gas & Water Supply, que obteve a concessão da captação e distribuição das águas trazidas da serra da Boa Viagem e se manteve, na Figueira da Foz até 1927, ano em tudo passou para gestão municipal, seguindo a tendência que que já se vinha acentuando internacionalmente.
O livro acompanha de perto a conturbada execução do projecto, dando voz aos seus principais actores, e recorda as preocupações com a qualidade do serviço, em termos de quantidade e qualidade da água fornecida aos figueirenses, que se constituíram em instrumento decisivo para a municipalização do serviço, enquanto pilar essencial de modernidade, salubridade e de consolidação da posição da Figueira na lista dos principais destinos turísticos do país.
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Ciclo que se propõe reflectir sobre os múltiplos legados de Frantz Fanon, desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra. Frantz Fanon
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Detalhes do Evento
Ciclo que se propõe reflectir sobre os múltiplos legados de Frantz Fanon, desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra.
Frantz Fanon | Ciclo de Cinema 2026
Dando continuidade à celebração do centenário do nascimento de Frantz Fanon, este ciclo propõe reflectir sobre os seus múltiplos legados, desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra – intimamente entrelaçada com as duas outras vertentes. Já na sua primeira obra Pele negra, máscaras brancas (1952), o cinema ocupa um espaço marginal mas não menos decisivo no que diz respeito a questões de representação, tendo um lugar central nas terapias alternativas que Fanon viria a introduzir no Hospital Psiquiátrico de Blida-Joinville, na Argélia, enquanto Médico-chefe de serviço entre 1953 e 1956. A leitura de Fanon revela-se fundamental não só para a compreensão do contexto histórico em que surgiu, com as suas ramificações entre os movimentos de libertação e as causas do chamado Terceiro Mundo nas décadas de 1960 e 1970, mas sobretudo na luta pelos direitos de grupos racializados. Todas estas questões voltam a ecoar no século XXI, quer em movimentos sociais que reivindicam uma cidadania efectivamente igualitária, quer na discussão sobre a urgência da descolonização dos saberes e das instituições. Como ler Fanon, hoje, a partir de Portugal? Qual o papel das instituições e dos diferentes movimentos na sua recepção? Qual a relevância da sua obra para a nossa contemporaneidade, tendo em conta a complexidade das suas diferentes vertentes – anti-colonial, anti-racista, terapêutica – e a reivindicação para se “sair da grande noite” do colonialismo?
À projecção dos filmes segue-se uma conversa com convidados/as e debate.
As sessões 1 a 4 decorrem na Casa do Comum; a sessão 5 decorre no Cinema Fernando Lopes.
Os filmes são legendados em inglês.
Organização: Manuela Ribeiro Sanches, Miguel Ribeiro e Sofia Victorino, com o IHC —NOVA FCSH
>> Descarregar o programa do ciclo (PDF) <<
Sessão 5 | Sábado, 14 Fevereiro, 16:00
You hide me, Nii Kwate Owoo, Gana, Reino Unido, 1970, 17’
Esta curta-metragem revela de forma crua e directa as contradições de um sistema museológico que legitima séculos de violência colonial. A câmara percorre vitrinas, depósitos e corredores dos acervos do Museu Britânico em Londres, transformando o inventário em denúncia: cada objecto exposto é também um testemunho das condições em que foi retirado do seu contexto original. O gesto do realizador, simples mas radical, assume-se como um show-and-tell político, convocando tanto a urgência da restituição material quanto a necessidade de repensar narrativas históricas dominantes. Proibido em território ganês mas hoje visto como um marco do cinema anti-colonial, este filme recorda-nos que a luta pela devolução do património não é apenas simbólica, mas profundamente ligada a questões de justiça histórica.
Soleil Ô, Med Hondo, 1970, França, Mauritania, 112’
Um grito de resistência contra a opressão racista e um marco revolucionário do cinema político, esta primeira longa-metragem do realizador mauritano Med Hondo constitui um ataque ao capitalismo e ao colonialismo. Soleil Ô acompanha a trajectória de um jovem imigrante que parte rumo a Paris em busca de trabalho e de uma comunidade. Rapidamente descobre uma sociedade hostil, onde a sua simples presença gera medo e desconfiança. Hondo recorre a uma linguagem cinematográfica experimental para denunciar as contradições da metrópole pós-colonial: a promessa de integração convive com mecanismos de exclusão sistemática. O filme não só denuncia as condições de marginalização vividas por milhares de migrantes africanos em França, como se afirma como um manifesto artístico de emancipação e resistência. Meio século depois da sua estreia, Soleil Ô permanece uma obra de referência incontornável, cuja energia estética e política continua a interpelar espectadores de diferentes gerações.
Conversa com Ângela Ferreira, Flávio Almada, Henrique Entratice, Víctor Barros. Moderação de Sofia Victorino
Fotografia: Frantz Fanon numa conferência de imprensa durante um congresso de escritores em Tunes, 1959 (Frantz Fanon Archives / IMEC)
Tempo
(Sábado) 4:00 pm - 6:30 pm
Organizador
Instituto de História Contemporânea — Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e Cinema Fernando Lopes
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