
Práticas da História Nº 11
Fev 8, 2021 | 2020, Edições, Revista Práticas da História

Práticas da História – Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past
- 2020
- Número 11
- ISSN: 2183-590X
- Número especial: Provincializing Europe – 20.º aniversário — Coordenado por José Neves e Marcos Cardão
Excerto do Editorial:
Em 2000, quando foi publicado o livro Provincializing Europe – Post-colonial Thought and Historical Difference, de Dipesh Chakrabarty, a autoridade científica da disciplina da História vinha já sendo questionada por perspectivas genericamente classificadas como pós-modernas, na senda de intervenções tão seminais como Metahistory: the Historical Imagination in Nineteenth Century Europe, de Hayden White, obra esta datada de 1973. A publicação do livro mais conhecido de Chakrabarty veio contribuir para o aprofundamento destas perspectivas, mas também para a abertura de um novo ângulo de questionamento da disciplina, ao confrontar os historiadores com a crítica pós-colonial, que então se encontrava em fase de afirmação académica no espaço anglo-saxónico e ameaçava as assunções eurocêntricas de várias disciplinas no campo das ciências sociais e das humanidades.
Vinte anos após a publicação de Provincializing Europe, propusemos à revista Práticas da História – Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past a organização de um número especialmente dedicado ao historiador Dipesh Cakrabarty e, em particular, ao seu livro acima referido. As nossas motivações para a organização deste número radicam no impacto que a leitura de Chakrabarty teve na nossa formação intelectual, mas também ganham alento pelo facto de lutas anti-racistas recentes terem vindo a instigar uma série de debates em torno da descolonização do conhecimento histórico, da memória colectiva e dos resquícios do passado colonial no presente. É com regozijo que registamos que o ano em que se derrubaram tantas estátuas que celebram os heróis do colonialismo europeu coincide com o vigésimo aniversário de Provincializing Europe, texto que continua a desafiar os limites do moderno pensamento europeu, animando debates sobre o historicismo, a escrita da história e as políticas do tempo, bem como a problematização de categorias centrais à teoria social e política, tais como modernidade, universalismo, capitalismo ou diferença.
José Neves (IHC — NOVA FCSH) e Marcos Cardão (CEC — Universidade de Lisboa)
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Detalhes do Evento
Ciclo que se propõe reflectir sobre os múltiplos legados de Frantz Fanon, desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra. Frantz Fanon
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Detalhes do Evento
Ciclo que se propõe reflectir sobre os múltiplos legados de Frantz Fanon, desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra.
Frantz Fanon | Ciclo de Cinema 2026
Dando continuidade à celebração do centenário do nascimento de Frantz Fanon, este ciclo propõe reflectir sobre os seus múltiplos legados, desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra – intimamente entrelaçada com as duas outras vertentes. Já na sua primeira obra Pele negra, máscaras brancas (1952), o cinema ocupa um espaço marginal mas não menos decisivo no que diz respeito a questões de representação, tendo um lugar central nas terapias alternativas que Fanon viria a introduzir no Hospital Psiquiátrico de Blida-Joinville, na Argélia, enquanto Médico-chefe de serviço entre 1953 e 1956. A leitura de Fanon revela-se fundamental não só para a compreensão do contexto histórico em que surgiu, com as suas ramificações entre os movimentos de libertação e as causas do chamado Terceiro Mundo nas décadas de 1960 e 1970, mas sobretudo na luta pelos direitos de grupos racializados. Todas estas questões voltam a ecoar no século XXI, quer em movimentos sociais que reivindicam uma cidadania efectivamente igualitária, quer na discussão sobre a urgência da descolonização dos saberes e das instituições. Como ler Fanon, hoje, a partir de Portugal? Qual o papel das instituições e dos diferentes movimentos na sua recepção? Qual a relevância da sua obra para a nossa contemporaneidade, tendo em conta a complexidade das suas diferentes vertentes – anti-colonial, anti-racista, terapêutica – e a reivindicação para se “sair da grande noite” do colonialismo?
À projecção dos filmes segue-se uma conversa com convidados/as e debate.
As sessões 1 a 4 decorrem na Casa do Comum; a sessão 5 decorre no Cinema Fernando Lopes.
Os filmes são legendados em inglês.
Organização: Manuela Ribeiro Sanches, Miguel Ribeiro e Sofia Victorino, com o IHC —NOVA FCSH
>> Descarregar o programa do ciclo (PDF) <<
Sessão 1 | Sábado, 17 Janeiro, 16:00
Chroniques fidèles survenues au siècle dernier à l’hôpital psychiatrique Blida-Joinville, Abdenour Zahzah, Algeria, França, 2024, 90’
1953, Argélia colonizada. Frantz Fanon, um jovem psiquiatra negro da Martinica, é nomeado médico-chefe do Hospital de Blida-Joinville. Ao pôr em prática as suas teorias de “psicoterapia institucional”, em oposição às teorias racistas da Escola de Psiquiatria de Argel, uma guerra irrompe dentro das próprias enfermarias. Esta longa-metragem centra-se nos métodos visionários de terapia social de Frantz Fanon durante o período em que trabalhou como psiquiatra na Argélia, entre 1953 e 1956.
Conversa com Ruth Wilson Gilmore, Mina Untalan e Lucas Manarte. Moderação de Manuela Ribeiro Sanches
Fotografia: Frantz Fanon numa conferência de imprensa durante um congresso de escritores em Tunes, 1959 (Frantz Fanon Archives / IMEC)
Tempo
(Sábado) 4:00 pm - 6:30 pm
Organizador
Instituto de História Contemporânea — Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e Casa do Comum
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