Equipa do FILMASPORA realiza workshop em Cabo Verde
Abr 1, 2026 | Notícias

Entre 21 e 29 de Março, membros da equipa do projecto FILMASPORA estiveram na Cidade da Praia, em Cabo Verde, para o I Workshop de Escrita Radical Criativa do Projecto FILMASPORA. Ana Rita Alves, Corsino Furtado, Inês Sapeta Dias, Fernando Moreira, Maíra Zenun, Max Rubem e Mário V. Almeida exploraram acervos vivos e memórias marginalizadas através de metodologias críticas de escuta, análise e escrita criativa. A iniciativa teve como objectivo contribuir para a formulação de uma nova cine-geografia da diáspora africana na Europa, revisitando e activando práticas de memória que restabeleçam conexões entre as periferias da Área Metropolitana de Lisboa e zonas específicas da Cidade da Praia, como Sucupira, Achada Limpo e o Platô, onde a sedimentação dos arquivos coloniais se tornou particularmente evidente.
Esta “residência” foi concebida por Maíra Zenun, bolseira de investigação do projecto, que propõe uma “viragem sensorial” na investigação académica ao valorizar experiências multimodais e situadas, com autoria colectiva e uso crítico de tecnologias, tratando o contexto cabo-verdiano como sujeito activo do processo. Alinhada com os princípios do Black Emancipatory Action Research (BEAR), e em parceria com o projecto (UN)PROTECT — (Des)Proteção do Estado e Racialização em Portugal (CES — Universidade de Coimbra) e a Fundação Garah, a programação incluiu cinco dias de actividades de experimentação colectiva e de produção colaborativa de conhecimento, culminando, no sexto dia, com uma sessão pública de apresentação e partilha dos processos, experimentações e reflexões desenvolvidos ao longo da residência — Escritas radicais e cine‑geografias: da Cidade da Praia à diáspora na Área Metropolitana de Lisboa —, abrindo ao público as práticas de escuta, escrita e investigação que estruturaram o workshop.
A equipa foi também recebida pela Associação Sócio-Cultural e Desportiva Fidjuz di Cabral, que lhes proporcionou uma caminhada no Bairro Fundo Kobom, “um bairro que antes estava muito abandonado, mas que foi revitalizado pelos próprios moradores e que actualmente recebe artistas de várias partes do mundo, para gravar nos estúdios locais, como o do Mayou, e participar de residências e actividades culturais”, conta-nos Maíra Zenun. Maíra teve também a oportunidade de realizar uma uma masterclass no “Laboratório de Arte Audiovisual”, na Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes da Universidade de Cabo Verde, sobre mulheres no audiovisual, o cinema negro e os desafios da montagem na área do audiovisual feito por pessoas africanas e afrodiaspóricas.
Fotos: Equipa FILMASPORA
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