“Homenagem à liberdade, à democracia e aos que morreram por ela”
Mai 18, 2022 | Notícias
Foi com estas palavras que o historiador Fernando Rosas descreveu a cerimónia evocativa do 77º aniversário da libertação do Campo de Concentração de Mauthausen, que aconteceu no dia 15 de Maio, na Áustria, e onde esteve novamente uma comitiva do IHC que, em conjunto com 19 alunos de Vila Nova de Famalicão, fizeram parte da Delegação Oficial Portuguesa.
A primeira vez que Portugal homenageou todas as vítimas do terror nazi de origem portuguesa foi em 2017, por iniciativa dos investigadores do projecto do IHC “Trabalhadores forçados portugueses no Terceiro Reich”, coordenado por Fernando Rosas, com a colocação de uma placa no Muro das Lamentações do Campo. Desde essa ocasião, o governo português e o IHC têm marcado sempre presença na emotiva cerimónia anual.
Este ano, no âmbito de um concurso escolar integrado no programa educativo e cultural “De Famalicão para o Mundo”, alunos da turma 11ºH do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco, que apresentou o trabalho “De Famalicão para o Mundo: Trabalhadores Portugueses Forçados no III Reich e os Famalicenses no Sistema Concentracionário Nazi”, juntamente com Miguel Almeida e Sousa (Embaixador de Portugal em Viena) e Pedro Oliveira (Vereador da Cultura da Câmara de Famalicão), colocaram a coroa de flores no memorial existente no local e prestaram a sua homenagem às centenas de milhares de pessoas que passaram por Mauthausen, entre elas, mais de uma dezena de portugueses.
Da comitiva portuguesa fizeram parte, entre outros e para além dos já mencionados, Luiz Barreiros (representante Nacional do Grupo de Trabalho ad hoc da Comissão Europeia para a Luta contra o Antissemitismo e Chefe da Delegação Portuguesa à IHRA – Aliança Internacional para a Memória do Holocausto), Marta Santos Pais (Comissária do Projeto Nunca Esquecer), Cláudia Ninhos, António Carvalho, Ansgar Schaefer e Cristina Clímaco (investigadores do projecto do IHC) e Arminda Ferreira (Coordenadora do programa educativo e cultural municipal “De Famalicão para o Mundo”).
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Detalhes do Evento
Encontro sobre o lugar que o arquivista Sadjo Turé ocupou nos trabalhos produzidos pelos investigadores que passaram pelo INEP e sobre o papel central do seu conhecimento. O Arquivo
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Detalhes do Evento
Encontro sobre o lugar que o arquivista Sadjo Turé ocupou nos trabalhos produzidos pelos investigadores que passaram pelo INEP e sobre o papel central do seu conhecimento.
O Arquivo e o Arquivista: O que Aprendemos com Sadjo Turé
Sadjo Papis Maria Turé foi arquivista, durante mais de 40 anos, no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa da Guiné-Bissau. Nesse arquivo, centenas de investigadores, guineenses, cabo-verdianos, suecos, portugueses, entre outras nacionalidades, realizaram trabalhos de pesquisa em áreas que vão da história à agronomia, da educação à fotografia e dos estudos culturais e literários à arquitetura. O Papis sabia em que caixa estava o que nos interessava. Abríamos cada uma, víamos os documentos e ficávamos intrigados com o que encontrávamos. De seguida, ele levava-nos para fora do arquivo: ‘tens de entrevistar esta pessoa que mora no Bairro de Missira’; ou ‘tens de ir ao leste do país para perceber do que se trata’. E, muitas vezes, acompanhava-nos.
Este encontro não é apenas sobre o Papis, mas sobre o lugar que ocupou nos trabalhos produzidos pelos investigadores que passaram pelo INEP e, acima de tudo, sobre o papel central do seu conhecimento na elucidação dos roteiros, na identificação das fontes e documentos desconhecidos e na formulação de outras advertências relevantes. Colocar Papis no centro desta reflexão não constitui apenas um gesto de recordação ou de evocação do arquivista; é também uma forma de sublinhar a importância das relações humanas nos processos de investigação. Por isso, lembrar o lugar central que o arquivista desempenha no processo de construção do conhecimento a partir de determinados documentos é, também, reconhecer que o saber resulta de um ato permanente de co-criação. Com o Papis todos esses elementos entravam em cena. Hoje, mais do que nunca, não podemos dispensar a importância do trabalho colaborativo no domínio da investigação. Tanto mais porque a incerteza que caracteriza o início de qualquer trabalho de pesquisa precisa sempre de ser compensada pelo contributo de quem sabe, melhor do que nós, como trilhar determinados caminhos.
Programa
10h00 – Abertura e Boas-vindas
Catarina Laranjeiro e Víctor Barros (IHC — NOVA FCSH / IN2PAST)
10h15 – “Fambondi” – fazer um livro com Papis Turé
Manuel Bivar (Investigador Independente)
10h45 – Não fossem as histórias: da transmissão oral à coprodução de conhecimento a partir de Papis Mariama Sadjo Turé
Inês Ventura (Investigadora Independente)
11h15 – O corpo, o pó e o arquivo
Daniel Barroca (ICS — Universidade de Lisboa)
11h45 – Da varanda do INEP vê-se a Guiné: repensar o arquivo com Sadjo Turé
Pedro Cerdeira (Universidade de Genebra)
12h30 – Pausa para almoço
14h00 – Os arquivistas e nós. Pessoas e histórias na coprodução de conhecimento
Francesca Vita (Dinâmia’Cet — Iscte)
14h30 – Onde o arquivo não chega
Rui Vilela (Universidade de Aveiro/ Universidade de Amesterdão)
15h00 – Interrogar o arquivo: história oral e co-criação de conhecimento
Ana Temudo (IHC — NOVA FCSH / IN2PAST)
15h30 – Conferência Final: Arquivista e a tradição oral: o caso do Papis Sadjo Ture
Iaia Biai (INEP)
16h30 – Reflexões finais
Catarina Laranjeiro, Rui Lopes e Víctor Barros (IHC — NOVA FCSH/ IN2PAST)
Organização: Catarina Laranjeiro e Víctor Barros
Instituições envolvidas: IHC — NOVA FCSH / IN2PAST; INEP — Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa e o projecto Sons Anticoloniais: da Rádio Libertação à Radiodifusão Nacional da Guiné-Bissau da Staatliche Akademie der Bildenden Künste Stuttgart (ABK Stuttgart).
Fotografia de Inês Ventura
Tempo
(Quarta-feira) 10:00 am - 5:30 pm
Localização
NOVA FCSH, Colégio Almada Negreiros, Sala SE1
Campus de Campolide da NOVA — 1099-085 Lisboa
Organizador
Instituto de História Contemporânea — NOVA FCSH, INEP e ABK Stuttgart
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