Fernando Ampudia de Haro — In Memoriam
Dez 3, 2022 | Notícias

O IHC noticia o falecimento do sociólogo Fernando Ampudia de Haro. À família e amigos mais próximos, queremos enviar uma mensagem de carinho e força nesta hora tão difícil. O desaparecimento do Fernando, por mais que não seja totalmente inesperado, deixa-nos tristes e revoltados. Guardaremos com afecto a memória do seu trato amigo. O Fernando nasceu em 1975, tinha muita vida pela frente e foi um colega exemplar. O raio de interesses do Fernando Ampudia de Haro era vastíssimo. As suas investigações resultaram em trabalhos acutilantes e sensíveis. E desbravaram temas praticamente inexplorados pelas Ciências Sociais. A Sociologia e a História, mas também a Economia, perdem um investigador singular.
O livro que, em 2020, publicou na Imprensa de História Contemporânea é a este respeito muito sugestivo. Intitulou-o “O processo civilizacional da tourada. Guerreiros, cortesãos, profissionais …e bárbaros?“. Superando os limites epocais que a periodização historiográfica tantas vezes impõe, o Fernando encontrou na tourada um tema que lhe permitiu renovar o seu olhar sociológico e historiográfico, devedor dos contributos de, entre outros, Norbert Elias. Em contra-partida, a investigação desenvolvida pelo Fernando oferece-nos um grande conhecimento histórico e muitas questões para reflexão cívica em torno do tema. Li-a, de fio a pavio, no dia em que ele me enviou o manuscrito. Podem ler o livro aqui.
A tese de doutoramento do Fernando, essa, foi realizada em Madrid, na Universidade Complutense. Foi premiada e esteve na origem do livro “Las bridas de la conducta: una aproximación al proceso civilizatorio español” (Madrid, Centro de Investigaciones Sociológicas / Siglo XXI Editores, 2007). Entre 2006 e 2012, o Fernando foi investigador de pós-doutoramento no IHC, onde desenvolveu o projeto “O homem civilizado em Espanha e Portugal: Modelos de comportamento e afectividade nas ditaduras de Franco e Salazar”. O seu principal interlocutor no IHC foi o nosso colega António Reis, por quem o Fernando tinha respeito e admiração.
O último artigo publicado do Fernando Ampudia de Haro data deste ano. Versa em torno dos repertórios culturais sobre o amor. Nos últimos anos, à investigação de temas e objectos queridos à tradição eliasiana, o Fernando juntou um grande interesse pelo estudo do neoliberalismo. Escreveu, com Sofia Gaspar, sobre as políticas fiscais para não-residentes (Fernando Ampudia de Haro & Sofia Gaspar, “Racionalidade política neoliberal e regime fiscal: o caso dos Residentes Não Habituais em Portugal“. Revista Crítica de Ciências Sociais 125 (2021): 5-28). Levou ao estudo da crítica do regime académico de publicação vigente (por exemplo, Fernando Ampudia de Haro. “O impacto de (não) ter impacto: para uma sociologia críticas das publicações científicas“. Revista Crítica de Ciências Sociais 113 (2017): 83-106). Co-editou, com José Nuno Matos, “Os sujeitos do neoliberalismo” (Lisboa, Tigre de Papel / Outro Modo, 2021).
Algumas das fontes e assuntos que perseguiu permearam as suas investigações sobre o período das ditaduras ibéricas e sobre o mundo liberal de hoje. Foi o caso da literatura de auto-ajuda. A actividade de investigação e de publicação do Fernando fez-se a par com o ensino e a aprendizagem. Foi professor em Salamanca e no ISCSP, mas foi na Universidade Europeia que exerceu funções de Professor Auxiliar ao longo da última década. De caminho, encontrou tempo e vontade para realizar, no Iscte-IUL, uma dissertação intitulada “A Economia Social no contexto das políticas de austeridade”, no âmbito do mestrado em Economia Social e Solidária. Nesta instituição, foi investigador do CIES entre 2008 e 2020. Voltaria então ao IHC, aceitando o desafio que um dia lhe fiz para que se nos juntasse, porque precisávamos dele para renovar a nossa investigação no domínio da História Económica, da História Social e da Sociologia Histórica. O seu desaparecimento, tão precoce, é uma grande injustiça.
Pela Direção do IHC,
José Neves
Outras notícias
-
25 de Setembro, na Praça 1.º de Maio, das 17 às 22h -
Rui Lopes é o novo Presidente da Direcção do IHC -
'Ala Armando de Lacerda' é inaugurada a 17 de Setembro
Pesquisa
Oportunidades
Prémio Amílcar Cabral – 5ª Edição
Prazo: 30 Setembro 2026
Professor/a Auxiliar — Ciências Sociais
Prazo: 18 Setembro 2026
Notícias
IHC na Noite Europeia dos Investigadores em Évora
Set 18, 2026
25 de Setembro, na Praça 1.º de Maio, das 17 às 22h
IHC renova os seus Órgãos Sociais e Coordenações
Set 15, 2026
Rui Lopes é o novo Presidente da Direcção do IHC
PHONLAB dá origem a exposição permanente na Universidade de Coimbra
Set 10, 2026
‘Ala Armando de Lacerda’ é inaugurada a 17 de Setembro