Equipa do projecto InDigit recebe representantes dos Kamayurá em Lisboa
Mar 27, 2025 | Notícias

Numa iniciativa de museologia colaborativa, a equipa do projecto InDigit, coordenado por Rodrigo Lacerda (CRIA) e Elisabete Pereira (IHC), promoveu uma oficina no Museu Nacional de Etnologia (MNE) com Kanawayuri Marcello Kamaiurá e Auakamu Kamayurá, representantes do Arquivo Kamayurá, do povo indígena Kamayurá (Alto Xingu,Brasil), consultores e co-investigadores do InDigit.
A oficina de dois dias centrou-se na colecção obtida em 1964 por Victor e Françoise Bandeira durante uma visita à aldeia Ypavu do povo Kamayurá, no âmbito da viagem do casal à América Latina para recolher elementos da cultura material para o então projecto de um Museu de Etnologia do Ultramar (hoje MNE). Acolhida pelo MNE, a oficina permitiu a todas as pessoas participantes contextualizar a colecção em maior detalhe e reflectir sobre a prática arquivística, a museografia e a conservação de artefactos em conjunto com os representantes Kamayurá. Para Kanawayuri e Auakamu, esta foi também uma oportunidade de conhecer as técnicas de conservação utilizadas no museu e de participar em discussões sobre os regimes de conservação — que incluem considerações sobre a visualidade (o que deve e não deve ser visto, e por quem), formas de expor os objectos e políticas de acesso.
O principal objectivo do InDigit, um projecto exploratório financiado pelo IN2PAST, é examinar as diferenças e semelhanças entre as teorias e práticas do MNE e dos Kamayurá em termos de sistemas de classificação, protocolos de acesso, conceitos de propriedade, regimes de cuidado e noções de temporalidade. Os resultados finais esperados são o desenvolvimento de um protótipo de repositório digital baseado na colecção Kamayurá do MNE elaborado em colaboração e segundo as perspetivas do povo Kamayurá; a redacção conjunta de um manual com recomendações dos Kamayurá sobre a gestão de colecções do seu povo, tanto em formatos físicos como digitais; e a publicação de um artigo científico de reflexão colaborativa sobre o projecto.
Além do coordenador e coordenadora do InDigit, participaram nesta oficina o director do MNE, Gonçalo de Carvalho Amaro (também investigador no IHC), vários membros da equipa do museu, Luísa Valentini (CNPq / UFBA), que apoia o projecto Arquivo Kamayurá há mais de 10 anos, e o antropólogo João Leal (CRIA). Rodrigo Lacerda realçou que “este trabalho não só demonstra a importância dos museus etnográficos e das colecções que estes conservam para as comunidades de origem na actualidade, mas também ilustra como estas instituições podem renovar-se e reinventar-se através destes cruzamentos de experiências”.
Para a redacção desta notícia, contamos com a contribuição de Rita Hasse Ferreira (IN2PAST).
Foto: (Da esquerda para a direita) Kanawayuri Marcello Kamaiurá, Elisabete Pereira e Auakamu Kamayurá (© Iria Simões, Museu Nacional de Etnologia / Arquivo de Documentação Fotográfica/ Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.)
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