Chamada aberta para a Aniki: Utopias e distopias cinematográficas

Abr 22, 2026 | Destaque

Utopias e distopias cinematográficas: Metropolis (2027), cem anos depois

Prazo: 31 de Julho de 2026

Em 2027, comemora-se o centenário da estreia de Metropolis, obra cinematográfica monumental realizada por Fritz Lang e escrita por Thea von Harbou. Passados cem anos, os temas políticos, bem como as visões esperançosas e apocalípticas da sociedade abordadas no filme, continuam actuais. O filme foi uma das produções mais ambiciosas do cinema alemão, condensando as tensões estéticas e ideológicas da sua época. A influência que exerceu no imaginário da ficção científica e da distopia perdura até aos dias de hoje e é imensurável, pois nesta obra convergem diferentes tradições narrativas, imaginárias e mitológicas, que estabelecem um legado visual e arquitetónico que marcou a história do cinema.

Para além do seu importante papel na história do cinema, Metropolis aborda questões centrais como a relação entre a técnica e o corpo, a organização simbólica do espaço urbano, a cisão social dos indivíduos após a guerra, o papel desempenhado pela mulher na sociedade de Weimar e a problemática, que já então se vislumbrava, da inteligência artificial. O seu potencial evocativo reside, em grande medida, no seu carácter transdisciplinar, fazendo confluir imaginários tanto fantásticos como de ficção científica, entrelaçando de forma experimental arquitectura, literatura e dança, entre outras manifestações artísticas, para as fazer participar da natureza vanguardista que pulsava predominantemente nos primórdios do meio cinematográfico.

Este dossier convida à apresentação de contribuições que abordem Metropolis a partir de perspectivas analíticas, históricas e comparativas, tendo em conta a actualidade do seu legado e as ressonâncias que o seu discurso tem no nosso tempo. Serão especialmente valorizadas as propostas que explorem a sua dimensão simbólica, a sua capacidade de configurar o imaginário distópico audiovisual posterior e a sua actualidade nas formas socio-culturais actuais.

As principais linhas temáticas contempladas são:

  • Dimensão distópica/utópica: o legado de Metropolis projectando futuros imperfeitos
  • Metropolis e a ficção científica contemporânea: relações, conexões e influências
  • Autómato, o duplo e as formas do pós-humano a partir de Metropolis
  • Género e corpo: representações do feminino em Metropolis
  • Influências e re-leituras de Metropolis na cultura audiovisual contemporânea
  • Cidade e arquitectura: simbolismo do espaço moderno
  • Técnica e corpo: alienação, mecanização e subjetividade em Metropolis
  • Simbólico como forma de comunicação: Metropolis e a simbologia religiosa e política
  • Metropolis no contexto de Weimar: imaginário social e tensões ideológicas
  • Relações de Metropolis com o expressionismo cinematográfico
  • Metropolis no seu conjunto: diálogos entre o romance e o filme

 

Este dossier temático é coordenado por Marcos Jiménez González (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidad de Zaragoza) e Luis N. Sanguinet (Faculdade de Ciências da Comunicação, Universidad Rey Juan Carlos)

Marcos Jiménez González é licenciado e doutorado em Filosofia e professor de Estética e Teoria das Artes na Universidad de Zaragoza, Espanha. Foi investigador pós-doutorado no Instituto de Filosofia do CSIC e na Universidad Complutense, bem como professor na Universidad Rey Juan Carlos. Autor de Romanticismo, técnica y poder en la arquitectura de Albert Speer (Ápeiron, 2018) e de Fritz Lang y el expresionismo (Shangrila, 2022), coordenou obras cocletivas e monográficas e publicou em revistas académicas e de divulgação sobre cinema, filosofia e comunicação audiovisual. As suas linhas de investigação abordam os diálogos entre as artes narrativas e as artes visuais, as relações entre cinema e ideologia e o alcance dos imaginários estéticos, centrando-se no cinema de vanguarda e na sua influência noutras modalidades narrativas.

Luis Nahuel Sanguinet García é investigador na Universidad Rey Juan Carlos e está a realizar a sua tese de doutoramento sobre a simbologia da porta no cinema expressionista alemão, sob a orientação conjunta do Prof. Dr. Lorenzo Torres da URJC e do Prof. Dr. Malte Hagener da Phillips Universität Marburg. É licenciado em Comunicação Audiovisual pela URJC, mestre em Produção e Distribuição Audiovisual pela escola de arte HDM El Submarino e mestre em Crítica e Argumentação Filosófica pela Universidad Autónoma de Madrid. Trabalhou na supervisão de dossiers audiovisuais para o Observatório do Futuro e como ilustrador para a editora Ápeiron Ediciones. É autor de Aproximaciones estéticas a la puerta (Ápeiron, 2016) e de um capítulo em De Gran Hermano a El Juego del Calamar (Cátedra, 2024). Foi colaborador do grupo de investigação ATAD (Análise do Texto Audiovisual) da Universidad Complutense de Madrid e colabora atualmente no Grupo Consolidado de Investigação INECO (Inovação, Educação e Comunicação), ligado à URJC.

 

O prazo para submissão de artigos completos e originais é 31 de Julho de 2026.

Os artigos recebidos serão sujeitos a um processo de seleção (pelos editores) e revisão cega por pares (por avaliadores externos). Os textos devem ter até 8000 palavras e incluir, em português e inglês (e também em espanhol, se essa for a língua do texto): um título, um resumo de até 300 palavras e um máximo de 6 palavras-chave.

Antes de submeter o seu artigo, por favor consulte todas as instruções aqui.

Em caso de dúvida, por favor, contacte: aniki@aim.org.pt.

 

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