
Foram divulgados os resultados da oitava edição do Concurso de Estímulo ao Emprego Científico (CEEC) da FCT, no qual o IHC viu serem-lhe atribuídos 13 contratos: seis na categoria de Investigador Júnior e sete na categoria Investigador Auxiliar, o que resultará na integração de nove novos membros no Instituto. Duas destas candidaturas tiveram também enquadramento institucional do IN2PAST.
Na categoria de Investigador Auxiliar e no painel de Artes, Ana Bigotte Vieira e Catarina Laranjeiro viram os seus projectos aprovados. Ana vai analisar a história do conceito de dança no século XX, estabelecendo um diálogo com os Estudos de Performance e Dança. Catarina vai desenvolver investigação sobre as culturas audiovisuais produzidas em e a partir de bairros auto-construídos por comunidades da diáspora africana em Portugal, enquadrando estas práticas como fontes de leitura alternativas dos espaços urbanos.
Na mesma categoria, mas no painel de História, Elisabete Pereira e Tijl Vanneste também foram bem sucedidos. Elisabete pretende colmatar uma lacuna acerca da formação e proveniência das colecções com origem em povos colonizados patentes em museus africanos e europeus, recorrendo à análise comparativa entre o Museu Nacional de Arqueologia (Portugal), o Musée d’Archéologie Nationale (França) e o Museu Nacional do Quénia. O projecto do Tijl tem como objectivo comparar as visitas turísticas e etnográficas realizadas às minas de diamantes em Lunda (Angola) e em Kimberley (África do Sul) durante o período colonial. Aquele tipo de visitas, que resultavam depois em artigos de imprensa e exposições, contribuíram para moldar uma imagem estereotipada e redutora do “africano” na Europa e nos Estados Unidos.
Vamos ainda acolher no IHC Eduardo Ascensão, Eszter Varsa e Moira Patricia Pérez como Investigadores Auxiliares. Com um projecto enquadrado no painel de Geografia Social e Económica, Eduardo Ascensão, que já colaborava com o IHC, vai explorar diversas abordagens teóricas acerca da renaturalização urbana, investigar etnograficamente iniciativas actuais que permitem o regresso da natureza às cidades e identificar locais para futuras acções de renaturalização na Área Metropolitana de Lisboa. Eszter Varsa e Moira Patricia Pérez apresentaram os seus projectos no painel de História. A primeira vai basear-se na vasta literatura sobre o socialismo agrário e o activismo das trabalhadoras, escritos na Europa de Leste entre as décadas de 1950 e 1980, para investigar o activismo laboral das mulheres do meio rural na Hungria do período entre-guerras. A segunda propõe um estudo teórico e aplicado sobre as formas como a história pública promovida pelo Estado aborda a colonialidade e como esta se manifesta nessa história como uma matriz de poder omnipresente.
No que diz respeito às “jovens” Júniores, as já colaboradoras Ana Temudo e Inês Vieira Gomes passarão a integrar o IHC com os projectos agora financiados. Ana vai explorar a forma como os museus etnográficos podem ser repensados como espaços de restituição, participação comunitária e pedagogia performativa em Portugal e na África Ocidental, no contexto actual em torno da reparação e da descolonialidade. Inês tem como objectivo analisar a relação entre as mulheres fotógrafas e os espaços e experiências coloniais, com uma perspetiva de género que propõe reescrever uma história da fotografia (que não esteja centrada em protagonistas masculinos).
Acolheremos ainda quatro novos Investigadores Júnior: os espanhóis Alba Martín Luque, Carla Andrés Bauzá e Daniel Cannales Ciudad; e o português João Fusco Ribeiro. Alba quer reconstruir o planeamento, a concepção política e as práticas visuais subjacentes à revolta anti-colonial da União das Populações de Angola (UPA) em 1961, partindo de uma perspectiva explicitamente anti-colonial. Carla vai reinterpretar as insurreições negras nas Caraíbas, entre as décadas de 1860 e 1880, demonstrando os papéis fundamentais e específicos desempenhados por mulheres afro-descendentes, que reivindicaram a libertação da escravatura, exigiram a igualdade racial e forjaram a resistência anti-colonial. Daniel quer analisar o papel dos advogados europeus e das associações internacionais de juristas na formação da oposição transnacional às ditaduras de Franco e de Salazar entre 1945 e 1977. Por fim, João tem como objectivo analisar as interacções políticas, económicas e militares entre a República Popular da Polónia e os movimentos de libertação e os Estados descolonizados da África lusófona durante a Guerra Fria.
Congratulamo-nos com o excelente (e inédito) resultado alcançado e lamentamos que tantas outras e outros candidatos, de igual qualidade e diversidade, não tenham tido, este ano, a oportunidade de obter um contrato CEEC.
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