fevereiro, 2026

14fev4:00 pm6:30 pmFrantz Fanon | Film Cycle 2026 | Session #5Screening and debate4:00 pm - 6:30 pm Fernando Lopes Movie Theatre, Campo Grande, 376 — 1749-024 LisbonTipologia do Evento:Cycle,Movie session

Detalhe do cartaz do ciclo de cinema intitulado “Frantz Fanon”. No canto superior esquerdo, uma etiqueta arredondada diz “Ciclo de Cinema”. Uma grande inscrição em letra serifada diz “Frantz Fanon”, com as datas “Janeiro / Fevereiro 2026” à direita.

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Detalhes do Evento

Continuing the celebration of the centenary of Frantz Fanon’s birth, this cycle proposes to reflect on his multiple legacies, from the anti-racist struggle to decolonisation movements, as well as his work as a psychiatrist.

 

Frantz Fanon | Ciclo de Cinema 2026

 

Dando continuidade à celebração do centenário do nascimento de Frantz Fanon, este ciclo propõe reflectir sobre os seus múltiplos legados, desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra – intimamente entrelaçada com as duas outras vertentes. Já na sua primeira obra Pele negra, máscaras brancas (1952), o cinema ocupa um espaço marginal mas não menos decisivo no que diz respeito a questões de representação, tendo um lugar central nas terapias alternativas que Fanon viria a introduzir no Hospital Psiquiátrico de Blida-Joinville, na Argélia, enquanto Médico-chefe de serviço entre 1953 e 1956. A leitura de Fanon revela-se fundamental não só para a compreensão do contexto histórico em que surgiu, com as suas ramificações entre os movimentos de libertação e as causas do chamado Terceiro Mundo nas décadas de 1960 e 1970, mas sobretudo na luta pelos direitos de grupos racializados. Todas estas questões voltam a ecoar no século XXI, quer em movimentos sociais que reivindicam uma cidadania efectivamente igualitária, quer na discussão sobre a urgência da descolonização dos saberes e das instituições. Como ler Fanon, hoje, a partir de Portugal? Qual o papel das instituições e dos diferentes movimentos na sua recepção? Qual a relevância da sua obra para a nossa contemporaneidade, tendo em conta a complexidade das suas diferentes vertentes – anti-colonial, anti-racista, terapêutica – e a reivindicação para se “sair da grande noite” do colonialismo?

À projecção dos filmes segue-se uma conversa com convidados/as e debate.

As sessões 1 a 4 decorrem na Casa do Comum; a sessão 5 decorre no Cinema Fernando Lopes.
Os filmes são legendados em inglês.

 

Organização: Manuela Ribeiro Sanches, Miguel Ribeiro e Sofia Victorino, com o IHC —NOVA FCSH

 

>> Descarregar o programa do ciclo (PDF) <<

 

 

Sessão 5 | Sábado, 14 Fevereiro, 16:00

You hide me, Nii Kwate Owoo, Gana, Reino Unido, 1970, 17’

Esta curta-metragem revela de forma crua e directa as contradições de um sistema museológico que legitima séculos de violência colonial. A câmara percorre vitrinas, depósitos e corredores dos acervos do Museu Britânico em Londres, transformando o inventário em denúncia: cada objecto exposto é também um testemunho das condições em que foi retirado do seu contexto original. O gesto do realizador, simples mas radical, assume-se como um show-and-tell político, convocando tanto a urgência da restituição material quanto a necessidade de repensar narrativas históricas dominantes. Proibido em território ganês mas hoje visto como um marco do cinema anti-colonial, este filme recorda-nos que a luta pela devolução do património não é apenas simbólica, mas profundamente ligada a questões de justiça histórica.

Soleil Ô, Med Hondo, 1970, França, Mauritania, 112’

Um grito de resistência contra a opressão racista e um marco revolucionário do cinema político, esta primeira longa-metragem do realizador mauritano Med Hondo constitui um ataque ao capitalismo e ao colonialismo. Soleil Ô acompanha a trajectória de um jovem imigrante que parte rumo a Paris em busca de trabalho e de uma comunidade. Rapidamente descobre uma sociedade hostil, onde a sua simples presença gera medo e desconfiança. Hondo recorre a uma linguagem cinematográfica experimental para denunciar as contradições da metrópole pós-colonial: a promessa de integração convive com mecanismos de exclusão sistemática. O filme não só denuncia as condições de marginalização vividas por milhares de migrantes africanos em França, como se afirma como um manifesto artístico de emancipação e resistência. Meio século depois da sua estreia, Soleil Ô permanece uma obra de referência incontornável, cuja energia estética e política continua a interpelar espectadores de diferentes gerações.

Conversa com Ângela Ferreira, Flávio Almada, Henrique Entratice, Víctor Barros. Moderação de Sofia Victorino

 

Cartaz do ciclo de cinema intitulado “Frantz Fanon”. No canto superior esquerdo, uma etiqueta arredondada diz “Ciclo de Cinema”. Uma grande inscrição em letra serifada diz “Frantz Fanon”, com as datas “Janeiro / Fevereiro 2026” à direita. A imagem central é uma fotografia histórica a preto e branco que mostra Frantz Fanon sentado a uma mesa, inclinado para a frente e a ler, com vários homens de fato sentados atrás dele (são escritores). Na parte inferior, o texto diz “Casa do Comum / Cinema Fernando Lopes”. Ao longo da borda inferior, são exibidos vários logótipos institucionais e a menção ao financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

 

Fotografia: Frantz Fanon numa conferência de imprensa durante um congresso de escritores em Tunes, 1959 (Frantz Fanon Archives / IMEC)

 

Tempo

(Sábado) 4:00 pm - 6:30 pm

Localização

Fernando Lopes Movie Theatre

Campo Grande, 376 — 1749-024 Lisbon

Organizador

Institute of Contemporary History — NOVA School of Social Sciences and Humanities and Fernando Lopes Movie Theatre

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