Call for Papers // O pensamento, hoje, ainda tem efeitos práticos?

Organização: Instituto de História Contemporânea da FCSH/NOVA
Local: FCSH/NOVA
Data: 25 de Novembro de 2017
Prazo para submissão de propostas: 31 de Maio de 2017 [NOVO PRAZO]

 

O PENSAMENTO, HOJE, AINDA TEM EFEITOS PRÁTICOS?
AINDA PODEMOS PENSAR A DEMOCRACIA COMO ALGO AO NOSSO ALCANCE?

 

Num mundo em grande parte corrompido, em todos os sentidos, que alguns resumem na palavra “capitalismo”, que outros vêm como um ataque fortíssimo ao chamado “Estado social”, que totalmente se percebe estar dominado pelo “negócio”, pelo lucro, pelo curto prazo, numa modalidade inaudita, enfim, num mundo em que a violência prolifera e os excluídos e refugiados aumentam de forma assustadora, em que o meio-ambiente está de facto em perigo de colapso, em que 1% da humanidade controla e domina 99%, faz ainda sentido pensar, e em particular pensar a democracia? Enfim, há ainda uma esperança de redenção para a humanidade? Há ainda um caminho a apontar aos nossos jovens? Há uma forma de, para além das indústrias culturais, tornadas uma mercadoria como outra qualquer, criar um pensamento que seja realmente crítico e que seja efectivamente eficaz, transponível na prática, mesmo que a longo prazo?

A situação actual no Próximo Oriente, nos EUA, na América Latina, na Rússia, na Europa, na China, enfim, em todo o planeta, não é de molde a tranquilizar-nos. Mas não chega esboçar a queixa, fazer acusações, denunciar situações, assinar petições, etc. Tudo isso é uma gesticulação que nos entretém, apenas. É preciso parar um pouco para pensar... pensar se vale a pena continuar a pensar, se vale a pena continuar a investigar, a ensinar (e o quê, e para quê, e para quem?), que papel exerce hoje o que antigamente se chamava o “intelectual” no mundo em que vivemos, em que estamos cada vez mais informados... e por isso mesmo, cada vez mais conscientes de que, por detrás de tanta “informação”, desta ou daquela denúncia, deste ou daquele destapar do véu, deste ou daquele livro “esclarecedor”, muitos dos quais alimentam os media e a sociedade do espectáculo, o essencial se passa subterraneamente, em canais, círculos, procedimentos, organizações a que não temos acesso ou sobre os(as) quais temos muito escassa informação. E com a consciência de que, mesmo o pensamento que mais interessante potencialmente é, se tende a dirigir a camadas de ouvintes ou de leitores cada vez mais restritas, desenvolvendo um “elitismo esclarecido” de esquerda, ou um snobismo, ou uma atitude cínica ou de humor corrosivo, que apenas “alimenta o sistema”... criando nichos dos quais a maioria das pessoas se sente excluída, por uma maioria de razões (o que não parece ser um ideal muito democrático, obviamente).

Não foram estas questões, perguntas, estas posições, que se radicalizaram. O que se radicalizou, e radicaliza cada vez mais, é um ataque antidemocrático contra a maioria da humanidade.

E, neste sentido, e contexto emergente, qual o papel da filosofia, nomeadamente da filosofia política, da antropologia, da história, da sociologia, da politologia, da economia, enfim, em geral, das ciências sociais e humanas? Têm ainda alguma palavra a dizer? E essa palavra, é para ser escutada por quem, e para quê?

Num fundo, volta a velha pergunta, inquietante: que fazer?... pode ainda o pensamento salvar-nos, a todos, ou pelo menos à maioria de nós, e não apenas a alguns “esclarecidos” ?... São estas questão inadiáveis que nos propomos abordar, com a maior liberdade e com a maior frontalidade, concordando ou discordando uns dos outros, sem querer de forma ingénua chegar certamente à fórmula mágica da salvação, nesta jornada de trabalho - que parece impor-se num Instituto que se consagra a pensar as questões da História Contemporânea.

 

Coordenação científica:
Vítor Oliveira Jorge
Investigador do IHC – ESPI

 

As propostas (acompanhadas de um cv) e sugestões devem ser enviadas para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar até final de Março de 2017.

Os resumos das intervenções definitivas (calibradas para cerca de 20 minutos – serão apresentadas 10 comunicações no total; ou 15, caso seja necessário utilizar a tarde de sexta-feira anterior) e incluídas no programa da sessão deverão ser remetidos até fim de Abril de 2017.

Contamos ter, de manhã, o seguinte esquema de trabalhos:

10 h. – 11 h. – 3 comunicações
11 h. – intervalo
11,40 h. – 12,20 h. – 2 comunicações
12,20 h. - 13 h. Debate

e de tarde:

15 h. – 16 h. – 3 comunicações
16 h. – Intervalo
16,20 h. – 17 h – 2 comunicações
17 h – 18 h. – Debate final

A sessão será inteiramente gravada em vídeo (comunicações e debates subsequentes) e imediatamente publicada via YouTube.

A sessão será publicada, segundo contamos, em texto online em 2018. Prazo limite máximo para envio dos originais para publicação: 31 de Dezembro de 2017 (as condições básicas a que deverão obedecer serão atempadamente fornecidas aos oradores).

 

ATENÇÃO:

Eventualmente, se necessário, o evento poderá iniciar-se no mesmo local no dia anterior, 24.XI.2017, à tarde, das 15 h. às 18 h., com mais 5 comunicações.

 

Pode descarregar AQUI a chamada para trabalhos (PDF)