Biografias // GONÇALVES, Bento António (1902-1942)

GONÇALVES, Bento António (1902-1942)
Sindicalista e secretário-geral do Partido Comunista Português

Nasceu em Fiães do Rio (Montalegre) a 2 de Março de 1902 e morreu no campo de concentração do Tarrafal (Cabo Verde) a 11 de Setembro de 1942. Secretário-geral do Sindicato do Pessoal do Arsenal da Marinha (1927-1929); secretário-geral do Partido Comunista Português (21.4.1929-11.9.1942).

Vindo para Lisboa, tornou-se aprendiz de torneiro com 15 anos em 1917, estudando à noite. Em 1919, ingressou no Arsenal da Marinha como torneiro mecânico, tendo-se alistado na Marinha em 1922, sendo enviado para Angola em 1924 para trabalhar como torneiro mecânico nos Caminhos-de-Ferro de Angola. Aderiu ao movimento sindical, integrando já como secretário-geral do Sindicato do Pessoal do Arsenal da Marinha uma delegação do operariado português que participa nas Comemorações oficiais da Revolução Socialista de Outubro na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1927.

Aderiu ao Partido Comunista Português em 1928, sendo eleito secretário-geral na Conferência de 21 de Abril de 1929, realizada na Amadora. Bento Gonçalves reorganiza o PCP, ligando à classe operária e ao movimento comunista internacional, lançando a imprensa partidária (O Proletário; Avante!). O partido, reorganizado após 1929, iniciou o longo percurso na clandestinidade imposta pela longa noite fascista. Em 1930 foi preso pela primeira vez, sendo deportado para os Açores e para Cabo Verde, recuperando a liberdade em 1933. Chefiou a delegação do Partido Comunista Português ao VII Congresso da Internacional Comunista em Moscovo em 1935, juntamente com Júlio Fogaça e Silvestre Ferreira. No seu regresso foi preso juntamente com os outros membros do Secretariado Partido Comunista Português, Júlio Fogaça e José de Sousa.

Deportado para o Tarrafal em Outubro de 1936, foi atingido por uma biliose (provocada pela ausência propositada de cuidados de higiene, saúde e salubridade e as condições sub-humanas impostas deliberadamente sobre os presos políticos) que o conduziu à morte em 11 de Setembro de 1942.