Biografias // COSTA, Augusto Pires Celestino da (1884-1956)

COSTA, Augusto Pires Celestino da (1884-1956)
Médico investigador

Nasceu em Lisboa, em 16 de Abril de 1884 e morreu em 1956. Concluiu o curso de Medicina, pela Escola Médica de Lisboa, em 1905.
A partir desta data passaria a dedicar-se à investigação científica, acompanhado e orientado por Marck Athias. Completou a sua formação em Berlim, entre 1906 e 1908, e leccionou depois a cadeira de Histologia e Embriologia, como professor da Faculdade de Medicina de Lisboa. Influenciado pelo modelo alemão de organização do ensino, considerava que a resolução do problema educativo nacional dependia da elite universitária. Ao longo dos anos 1939/40 debater-se-ia mesmo pela criação da carreira de investigador, independente da carreira académica, com um estatuto e salário próprios.

Fez parte da chamada "geração médica de 1911", sendo um dos responsáveis pela reforma universitária levada a cabo no mesmo ano e defendeu muitos dos projectos pedagógicos e de apoio à investigação promovidos durante a I República. Neste sentido, foi sócio fundador da Liga de Educação Nacional, em 1908, e integrou a Sociedade de Estudos Pedagógicos a partir de 1918. Em Abril de 1918 defendeu publicamente a criação, em Portugal, de um organismo congénere da "Junta para Ampliación de Estudios y Investigaciones scientificas", que visitara no ano anterior.

Já sob Ditadura Militar, foi nomeado vogal da recém-criada Junta de Educação Nacional, em 1929, como vice-presidente da secção de Ciências, e em 1934 assumiu funções como presidente da mesma Junta. Em 1936, foi eleito primeiro presidente do Instituto para a Alta Cultura, que substituiu a JEN.Em 1947, foi temporariamente afastado do ensino, em sequência da vaga de "purgas" académicas levadas acabo pelo Estado Novo. A partir dessa altura dedicou quase toda a sua atenção à actividade científica, mantendo-se afastado de funções públicas de maior relevo. No início da década de 50 dirigiu ainda o Instituto de Investigações Endocrinológicas do IAC.

Como dirigente do IAC e como cientista, pugnou pelo desenvolvimento da investigação em Portugal, promoveu intercâmbios e contactos com instituições de outros países (entre as quais a Fundação Rockefeller).