Biografias // CORTESÃO, Jaime Zuzarte (1884-1960)

CORTESÃO, Jaime Zuzarte (1884-1960)
Deputado e Director da Biblioteca Nacional

Nasceu em Ançã (Cantanhede) a 29 de Abril de 1984 e morreu em Lisboa a 14 de Agosto de 1960. Estudou em Coimbra, Porto e Lisboa, formando-se em medicina em 1909, na Escola Médico-cirúrgica do Porto, tendo escrito para tese de licenciatura Arte e Medicina. Exerceu ensino no Porto entre 1911 e 1915, sendo eleito deputado do Porto entre 1915 e 1917.

Como voluntário participou na campanha da Flandres, no posto de capitão-médico. Gravemente ferido em combate foi condecorado com a Cruz de Guerra. Teve intensa participação na propaganda intervencionista dirigindo o diário democrático O Norte (1914-15), redigindo A Cartilha do Povo (1916). Resultando desta participação na I Grande Guerra, as Memórias da Grande Guerra (1919).

No final da guerra assume um posicionamento apartidário, embora sem deixar de assumir uma postura crítica face ao poder político. Participou activamente na tentativa revolucionária de Fevereiro de 1927, que lhe valeu a demissão do cargo de director da Biblioteca Nacional, que exercia desde 1919 em estreita colaboração com Raul Proença, e a partida forçada para o exílio.

O seu pensamento político pautou-se pelas ideias anarquistas, libertárias e altruístas visíveis nas colaborações nas revistas Nova Silva (1907) e A Vida Portuguesa (1909); a dinamização dos grupos do Amigos do ABC e participação nos movimentos académicos de contestação de Coimbra.Foi defensor incondicional do republicanismo democrático, do igualitarismo reformista e idealista, em que a missão das elites surge continuamente afirmada, Cortesão, que ingressou na Maçonaria em 1911, participou activamente na propaganda republicana e, uma vez consumada a mudança política, empenhou-se na efectiva democratização do regime e das consciências.