Biografias // CASIMIRO, Augusto (1889-1967)

CASIMIRO, Augusto (1889-1967)
Militar e Escritor

Nasceu em Amarante em 1889. Poeta, escritor e militar. Frequentou a Universidade de Coimbra e depois a Escola do Exército, onde fez o curso de Infantaria em 1909. Estreou-se como autor em 1906 e colaborou na imprensa periódica na década de 1910, aderindo aos ideais republicanos.

Fez campanha na Flandres, como tenente, entre 1917-1918. Nos últimos meses dessa campanha, junto do General Garcia Rosado, fez grandes esforços para que Portugal participasse no desfile da vitória. Foi condecorado com a Cruz de Guerra, fourragère da Torre e Espada, Ordem de Cristo, medalha de Ouro de Bons Serviços, Military Cross, Legião de Honra, Ordem de Avis e Ordem de Santiago e promovido a capitão durante a campanha.
Terminada a Grande Guerra, leccionou no Colégio Militar, sendo de seguida integrado como adjunto a campanha que visava a delimitação da fronteira entre Angola e o então Congo Belga, trabalhando sob a direcção de Norton de Matos, então Alto Comissário da República em Angola. Nesse período foi Governador do Distrito do Congo e Secretário Provincial e Governador interino de Angola (1923-1926). Regressou a Portugal em consequência do Golpe de 28 de Maio de 1926. Durante a permanência em Angola escreveu largamente sobre a temática colonial.

Próximo dos movimentos de oposição republicana à Ditadura participou na denominada Revolta da Madeira (1931), sendo então demitido do Exército e, entre 1933 e 1936, desterrado em Cabo Verde. Foi reintegrado em 1937, após o que passou à reserva.
Manteve a sua ligação à oposição democrática ao Estado Novo, tendo integrado o Movimento de Unidade Democrática em apoio à candidatura presidencial de Norton de Matos.

Manteve, desde cedo, uma intensa actividade literária, publicando em revistas como A Águia e Seara Nova. A sua obra inclui trabalhos em poesia e prosa, por exemplo: Para a Vida (1906); Portugal Atlântico - Poemas de África e de Mar (1954); A Vitória do Homem (1910), A Primeira Nau (1912), À Catalunha (1914), Primavera de Deus (1915), Livro das Bem-Amadas (1921) e A Vida Continua (1942). Sobre a Grande Guerra publicou: Nas Trincheiras da Flandres (1919); Sidónio Pais: Algumas Notas sobre a Intervenção de Portugal na Guerra (1919) e Calvários da Flandres (1920).