Biografias // CHAGAS, João Pinheiro (1863-1925)

CHAGAS, João Pinheiro (1863-1925)
Presidente do Ministério e diplomata

Nasceu no Rio de Janeiro em 1 de Setembro de 1863 e faleceu no Estoril em 28 de Maio de 1925. Fez os estudos em Lisboa, mas foi no Porto que começou a trabalhar como jornalista no Primeiro de Janeiro, onde logo se fez notar. Regressou a Lisboa, tendo trabalhado em vários jornais e no retorno ao Porto fundou o jornal República Portuguesa que utilizou para desferir fortes ataques contra a Monarquia, nomeadamente aquando do ultimato inglês de 1890.

O tom agressivo e assaz crítico dos seus artigos valeram-lhe vários processos e, em 26 de Janeiro de 1891, uma condenação de dez dias de prisão, razão pela qual quando rebentou a revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, viu a sua pena aumentada, dado que no seu jornal vinha apelando a uma intervenção do Exército para pôr fim à Monarquia. Considerado cúmplice e um dos principais promotores da revolta foi julgado em Conselho de Guerra e condenado a quatro anos de prisão ou em alternativa a seis de degredo. Deportado para Angola, dali conseguiu fugir para Paris decorridas poucas semanas. De França veio para Portugal, chegando ao Porto, em Fevereiro de 1892, onde viveu escondido durante cerca de oito meses até ser novamente detido.

A sua popularidade era grande e foi proposto deputado tendo obtido uma elevada votação. Solto pela amnistia concedida, em 1893, aos presos políticos voltou na imprensa a criticar ferozmente o regime vigente e a ser alvo de diversos processos até que decidiu partir para Madrid, donde continuou a colaborar no jornal O País e publicou os panfletos Cartas Políticas. Preso novamente, em 1908, pelo seu envolvimento na revolta falhada ocorrida em 28 de Janeiro daquele ano, foi libertado após o regicídio.

A seguir à implantação da República chefiou o primeiro Governo constitucional (3 de Setembro a 12 de Novembro de 1911) e foi embaixador em Paris, cargo que abandonou com a ditadura do general Pimenta de Castro e a quem deveria ter sucedido na chefia do Governo caso não tivesse sido vítima de um atentado, que o feriu gravemente, quando se deslocava do Porto para Lisboa para tomar posse.

Depois de restabelecido reocupou o seu antigo posto de embaixador e desempenhou um papel activo na participação portuguesa na frente de guerra europeia (1917-1919). Fez parte da delegação portuguesa na Conferência de Paz e na da Assembleia da Sociedade das Nações. No final de 1924 cessou o exercício do cargo de embaixador e voltou a Portugal.