Projectos em Curso // Participação no projecto INVENTARQ - Projecto Inventários de arquivos de família, sécs. XV-XIX: de gestão e prova a memórias perdidas. Repensando o arquivo pré-moderno

  • Investigadores responsáveis:
    Maria de Lurdes Rosa
  • Equipa:
    Ana Canas; Ana Cortez de Lobão ; Anne Goulet ; Filippo De Vivo ; Joseph Morsel ; Margarida Leme; Maria de Lurdes Rosa ; Maria Isabel Ventura ; Maria João Andrade e Sousa ; Maria José Mexia Bigotte Chorão; Miguel Metelo de Seixas ; Olivier Guyotjeannin ; Patrícia Marques ; Paulo Jorge Fernandes ; Pedro Pinto ; Randolph Head ; Rita Nóvoa; Saul Gomes ; Tiago Miranda; Véronique Lamazou-Duplan
  • Parcerias:

    Unidade de Investigação: IEM-FCSH/NOVA
    Unidades de Investigação associadas: CHAM, IHC, IICT
    Instituições participantes: Casa de Velazquez, Laboratório I.T.E.M. ("Identités, territoires, expressions, mobilités") da U. de Pau et des Pays de l'Adour).

  • Data de início:
    2013
  • Data de fim :
    2014
  • Resumo:

    Objectivos:
    1 – Estudar historicamente o contexto de produção e de uso de inventários de arquivos de família nobiliárquica de AR (história das famílias- história dos arquivos-história dos inventários)
    2 - Descrever diplomática e arquivisticamente os mesmos e colocar as descrições em linha
    3 – Promover o estudo, reflexão e edição de um conjunto de estudos sobre a natureza dos inventários, do ponto de vista histórico-antropológico, arquivístico e epistemológico quanto aos usos historiográficos e arquivísticos.

    De modo a assegurar a apresentação e disponibilização dos dados, a salvaguarda patrimonial dos inventários estudados, e a realização dos estudos analíticos em perspectiva interdisciplinar, estão previstas duas expressões concretas: uma página web de acesso online às descrições dos arquivos e dos inventários estudados (com recurso ao software ICA-AtoM e inclusão de digitalização dos inventários); a realização de um seminário de formação doutoral+ workshop de investigação aprofundada, a resultar num conjunto de estudos que serão disponibilizados sob a forma de e-book na referida página web, após processo de peer-review.

    Resumo do projecto:
    O que eram arquivos, na Europa pré-moderna? Este projecto pretende caracterizá-los a partir de um olhar interdisciplinar, que combine as perspectivas da história, da antropologia histórica e da ciência arquivística, de modo a oferecer uma definição não anacrónica do arquivo pré-moderno, a partir da sua alteridade, e a explicar as suas funções em contexto.

    O interesse do estudo dos arquivos pré-modernos é vasto e profundo, por várias ordens de razão.

    Permite, antes de mais, interrogar a montante a construção da História, a partir daquilo que a mesma sempre indicou como garante do seu carácter não-construído, verídico, decalcado do real: o arquivo, o depósito das fontes. A identificação do arquivo como local não neutro, ideológico e analisável, e dos arquivistas como mediadores activos, e não simples transmissores do material do passado aos historiadores e às administrações, alerta para a importância do controle próprio e social da sua função.

    Em termos de conhecimento do passado, o projecto permite estudar formas alteritárias, em relação à modernidade, de administração pelo escrito, dos usos da memória, de conflitos em torno da prova escrita, de representações dos instrumentos de prova, de interacções entre saberes eruditos e pragmáticos.

    A um nível mais profundo, estudando as representações e os usos da documentação natural das instituições, alcança-se o âmago das mesmas e pode-se compreender melhor as suas dinâmicas.

    Por fim, a compreensão destes objectos históricos pode ajudar a perceber melhor a imensa quantidade de informação actual que segue os mesmos padrões de organização “antiga” (não estatal) e cuja negligência conduz a equívocos e perdas (informação e arquivos de comunidades, minorias, ONG’s sociedades rurais/ pré-modernas/ periféricas).

    O estudo será centrado numa tipologia específica de arquivos, os das famílias de elite nobiliárquica, entre os séculos XV e XIX. As razões desta escolha são de três ordens: 1- epistemológica, i. e. local de investigação propício (carácter estruturado e fortemente identitário deste segmento da «organização família» - marcos jurídicos como o título ou o morgadio; estrutura de parentesco forte; posse e prossecução de capital cultural e simbólico; base dominial e territorial de relevo; desempenho frequente e com apropriação familiar, de cargos político-administrativos exteriores); 2 – patrimonial (focagem em arquivos detidos por privados ou depositados em arquivos públicos, mas em ambos os casos mal estudados ou mesmo em risco de dispersão); 3- académica (existência de um grupo de investigadores e de estudantes de pós-graduação que estudam os arquivos a incluir no projecto, em âmbitos de mestrado e doutoramento, e pertença a projecto franco ibérico que se dedica a estudo sobre temática afim).

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