Pós-doutoramentos em Curso // Portugal na ficção audiovisual dos aliados democráticos do Estado Novo

  • Investigador: Rui Lopes
  • Data de início: Junho de 2013
  • Financiamento: Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Resumo:

Esta investigação propõe-se analisar o desenvolvimento histórico da imagem de Portugal, incluindo a dimensão colonial, na ficção cinematográfica e televisiva das democracias com relações mais próximas do Estado Novo, nomeadamente os Estados Unidos da América, Reino Unido, França e República Federal da Alemanha. Este tipo de ficção – incluindo obras com grande apelo de massas, como filmes de aventuras, comédias românticas ou séries de espionagem cujo enredo se desenrola em território português – encorajou perceções do regime salazarista nas sociedades dos seus aliados. Pretendemos examinar o modo como essas representações evoluíram em diversos contextos políticos e culturais desde 1933 a 1974, bem como a gestão dessas representações feita pela ditadura.

A relevância destas questões prende-se com o facto de as representações propagadas por este tipo de ficção elucidarem aspetos significativos da História do Estado Novo e dos seus aliados. Se é verdade que a análise de encontros ministeriais confidenciais ou das assembleias da ONU nos tem permitido discernir as perspetivas de políticos e diplomatas estrangeiros sobre a ditadura salazarista, falta ainda apurar as perspetivas dos criadores artísticos e, até certo ponto, do grande público, na sua maioria alheio aos detalhes de muitas das negociações governamentais mas exposto ao retrato de Portugal em filmes e séries de televisão populares. O sucesso da ficção cinematográfica e televisiva junto do público de massas nas sociedades ocidentais confere a estes ramos da indústria de entretenimento um elevado potencial de significado político. As mensagens veiculadas – aberta ou subtilmente, intencional ou inadvertidamente – alcançam largos sectores da opinião pública, a qual tem um papel determinante na condução do poder em regimes democráticos. Naturalmente, as perceções de Portugal neste período não se esgotam nas imagens transmitidas pela ficção, muito menos exclusivamente pela ficção audiovisual. Do mesmo modo, não é certo que a visão do Estado Novo promovida por esses meios se traduza num substancial impacto social ou político. Não obstante, a análise destas representações é um passo essencial para começar a decifrar as relações entre a produção e disseminação cultural e o posicionamento (ou ausência dele) das sociedades em causa relativamente à ditadura e colonialismo portugueses.