Pós-doutoramentos em Curso // Gestão de propriedade pública e recursos de uso comum - recursos hídricos, minerais rochosos e produtos florestais no Portugal do século XIX, no contexto europeu

  • Investigador: Cristina Joanaz de Melo
  • Data de início: Maio de 2011
  • Financiamento: Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Resumo:

Este estudo trata o valor económico e social das economias paralelas à agricultura e pecuária desenvolvidas no período da chamada " Revolução industrial da agricultura e do têxtil" ao longo do século XIX, em Portugal.

Portanto, este trabalho versa sobre "recursos e paisagens esquecidos” pelo pensamento económico dominante e pela elite agrária portuguesa do século XIX. Assim, estuda.se de que modo se desenvolveram legalmente várias actividades económicas baseadas em recursos explorados em paisagens "não aráveis" como recursos hídricos e rochosos. Economias que evoliram para actividades lucrativas que não só eram legais como beneficiavam de ausência de controlo do sistema fiscal do Estado.

Assim, neste trabalho estudam-se “economias alternativas” à agro-pecuária, estruturadas sobre a extração e o comércio de bens naturais, desprezadas ou ignoradas pela corrente principal do desenvolvimento económico, como recursos hídricos , aquicolas e minerais rochosos. Esses recursos poderiam ser crustáceos, bivalves como ostras abundante em águas mistas no litoral ou em águas interiores ou mareiais adequados à construção civil como areia, argila ou pedra para alvenaria e construção e edifícios.

Perante o exposto, é minha intenção avaliar de que forma a prevenção contra o impacto de calamidades públicas, expondo os recursos esquecidos pelo paradigma económico agro-silvo-pastoril , contribuiu para o reforço da centralização do Estado através de regulamentação da extracção de recursos naturais

O volume de negócios dos governantes e consciência de elite política de tal riqueza foi uma consequência de uma resposta pública aos perigos naturais na década de 1850 e, mais tarde, na década de 1870. Chuvas torrenciais, como inundações causaram devastação e miséria avassaladora. Destruição de campos cultivados e a disseminação descontrolada de epidemias.