Pós-doutoramentos em Curso // A outra frente: a economia africana e a Primeira Guerra Mundial (1914-1919)

  • Investigador: Ana Paula Pires
  • Data de início: Maio de 2010
  • Financiamento: Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Resumo:

Olhar para África ao longo do século XX, é observar um palco em constante mutação, onde interagem e se relacionam diferentes elementos suscitados por dinâmicas internas, é certo, mas que têm sido profundamente influenciadas por realidades exógenas ao próprio Continente. A observação tende a ganhar em rigor e minúcia se a concentrarmos numa realidade mais específica, como a conjuntura inaugurada pela eclosão da I Guerra Mundial, no Verão quente do ano de 1914.

O Continente africano e, neste caso particular, da África portuguesa, surge assim como agente do processo de globalização; quer como (i) elemento actuante directo, nomeadamente a partir da exploração das suas riquezas naturais, num sentido lato, mas também pela especificidade da sua situação política no quadro das relações internacionais, quer (ii) pelo papel que desempenhou, compondo um espaço que serviu simultaneamente de encruzilhada e plataforma de conexão e passagem aos diversos fluxos, materiais e imateriais, à escala planetária.

A economia constitui o ponto de partida para sublinhar o carácter internacional e multirracial da Grande Guerra, inscrevendo os seus impactos e condicionantes, muito além do território da lembrança europeia, na âmbito mais genérico da memória colectiva mundial.

 

O projecto tem como objectivo estudar os seguintes tópicos, observando o cumprimento de uma metodologia essencialmente de matriz histórica, mas pluridisciplinar:

 

1. As oportunidades e os desafios colocados às economias africanas pela eclosão da I Guerra Mundial;
2. Analisar o papel, a importância e o espaço de uma região periférica, escassamente povoada, na rede de negócios mundial do início do século XX;
3. Compreender as oportunidades e os desafios potenciados pela diversidade das economias africanas;
4. Entender a exploração dos recursos africanos, nomeadamente os de natureza estratégica como elemento de disputa e de interesse político e económico no plano internacional;
5. Avaliar em que medida é que a África portuguesa soube tirar partido do ciclo aberto pela Grande Guerra e entender e analisar o papel reservado aos produtores nacionais e internacionais em todo esse processo.