Linhas Investigação // Colonialismo, Império e Imaginação Imperial na Época Contemporânea

  • Coordenação:
    Paulo Jorge Fernandes e Pedro Aires Oliveira
  • Apresentação:

    Tal como noutros estados-impérios, a expansão ultramarina e o fenómeno colonial foram factores relevantes, se não mesmo críticos, em várias transições e mudanças de regime em Portugal, assim como na sua inserção nos diversos sistemas internacionais dos séculos XIX e XX. A dimensão imperial foi igualmente um elemento estruturante das ideologias e dos imaginários das elites de várias sociedades europeias, tendo influenciado/condicionado inúmeros debates e opções estratégicas ou projectos de reforma doméstica. No plano económico, o significado dos impérios foi durante algum tempo questionado e até secundarizado, mas balanços mais recentes sugerem que esse veredicto merece ser revisto e problematizado, sendo as vicissitudes do “terceiro império” um caso de estudo fundamental para um melhor entendimento das trajectórias e impasses do capitalismo em Portugal.

    Ainda numa veia comparativa, o impacto da experiência imperial na cultura e mentalidades das sociedades metropolitanas, por um lado, e as idiossincrasias da “situação colonial” no contexto imperial português, por outro, são também problemáticas susceptíveis de agregar investigadores de diferentes áreas de especialização no âmbito do IHC e fora dele.

    Em termos mais concretos, esta linha de investigação propõe-se fazer do “Estado colonial” e dos seus interfaces e ramificações, um dos eixos fundamentais das suas pesquisas para o quinquénio de 2015-2020.

    A opção por esta problemática assenta em várias considerações. Em primeiro lugar, é uma problemática na qual convergem algumas interrogações essenciais acerca dos modos de exercício do poder imperial português, agregando vários interesses e projectos de investigação dos membros da linha num programa de trabalhos dotado de alguma coerência. Além do mais, é uma problemática que permitirá: a) colmatar lacunas significativas no nosso conhecimento dessa realidade (da fiscalidade aos dispositivos de controlo e vigilância das populações, da produção de saberes aos modos de apropriação de espaços e recursos, passando pelas estratégias de relacionamento com as elites e poderes locais); b) contribuir para o desenvolvimento de visões trans-coloniais comparadas; c) tirar partido dos ricos arquivos e acervos documentais localizados em Portugal, e em particular em Lisboa (Arquivo Histórico Ultramarino, SGL, Arquivo do MNE, Torre do Tombo, etc.), que guardam dados fundamentais a este respeito.

    Um outro eixo fundamental orientar-se-á para as questões das estratégias identitárias, das representações simbólicas, visuais e literárias do império (tanto ao nível da propaganda/“imaginação” imperial, como das perspectivas pós-coloniais”) e da sua memória e legados (estratégias de rememoração – ou de amnésia e silêncio; construção de narrativas identitárias da nação pós-imperial). Tal como na problemática anterior, esta é uma área onde se poderá verificar um diálogo profícuo entre vários membros da linha e outros elementos do IHC, sendo igualmente válidos os argumentos atrás elencados para conferir prioridade a este segundo feixe de problemáticas.

     

    Investigadores associados à Linha:

    Paulo Jorge Fernandes

    Pedro Aires Oliveira

    Jeremy R. Ball

    Ricardo Castro

    Teresa Pinto Coelho

    Sílvia Correia

    Bárbara Direito

    Helena Pinto Janeiro

    Rui Lopes

    Mário Machaqueiro

    Daniel Filipe Matias

    Filipe Ribeiro de Meneses

    Aurora Almada Santos

    Ansgar Schafer

    António Paulo Duarte


  • Objectivos:

    Estudar os mais importantes actores políticos, religiosos, militares, científicos e económicos desta época da história colonial portuguesa/europeia.
    Estudar as etapas marcantes do processo da descolonização.
    Estudar os contornos dos mais significativos projectos da colonização europeia em África e na Ásia.
    Estudar o processo de transição entre o Antigo Regime Colonial e a fase de construção do Império português moderno.
    Estudar a evolução histórica do colonialismo português no contexto da História colonial europeia do período.

    Estudar as dimensões imaginárias, simbólicas, identitárias e culturais, associadas aos “encontros” e às relações de poder coloniais.
    Estudar as políticas que afectaram a gestão do espaço e o acesso a e a distribuição de recursos em contexto rural, como as políticas de terras, e a forma como estas se articularam com políticas de trabalho.

    Participar nos principais debates historiográficos sobre os temas relativos à história do colonialismo.
    Divulgar as principais fontes arquivísticas disponíveis em Lisboa para o estudo da história colonial. Estabelecer parcerias com instituições especializadas em arquivos coloniais como o AHU, BNP, ANTT ou outras.

    Contribuir para a internacionalização do conhecimento historiográfico sobre o Império português na época contemporânea

    Estabelecer parcerias formais com unidades de investigação que se dediquem a temas afins na faculdade (CHAM, CESNOVA), em Portugal e no estrangeiro (aproveitando as redes de contactos e o networking de cada investigador).

  • Principais Actividades:

    Semanário permanente Marcas do Império, Colonialismo e Pós-Colonialismo na Época Contemporânea (várias edições desde 2013)

    Colóquio Municípios e Poderes Locais em África - Séculos XVI-XXI/International Conference Municipalities and Local Powers in Africa 16th-21th Centuries, FCSH, 4 de Novembro de 2014

    Parceria na realização dos Encontros com a História – “As Independências Africanas. A construção dos países e das identidades nacionalistas”, org. pelo Instituto Camões e Faculdade de Letras e Ciências Humanas da Universidade Eduardo Mondlane, Maputo, 8-22 de Abril de 2015

    Conferência de Elikia M´Bokolo (EHESS - Paris) "Enseigner L’Histoire Générale de L’Afrique aux Africains: Pourquoi, Comment?", FCSH, 5 de Junho de 2015

    Workshop internacional “Legacies of Empire ”, Senate House, Londres, 21 e 22 de Outubro de 2015, em colaboração com Institute of Commonwealth Studies, School of Advanced Study, University of London, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, King’s College (London), University of Paris Diderot, Canterbury Christ Church University, e Universitat Internacional de Catalunya

    Conferência Internacional “Quarenta Anos das Independências, 1975-2015”, 18-20 de Novembro de 2015, ISCTE e Biblioteca Nacional, em parceria com Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e com a Fundação Mário Soares

    Conferência Internacional The International Solidarity and the Struggle for Self-determination and Independence of Portuguese Colonies, FCSH, 30 de Junho e 1 de Julho de 2016

    International Conference Colonial incarceration in the 20th century: a comparative approach on the 80th anniversary of the Tarrafal camp (Cape Verde). Museu do Aljube, Fundação Mário Soares. Museu do Aljube-Lisboa, 21 a 23 de Julho de 2016