Cursos de Verão // AS CIDADES E AS GUERRAS

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XXII CURSO DE VERÃO DO IHC
As Cidades e as Guerras
Organização: Instituto de História Contemporânea e Câmara Municipal de Lisboa
Coordenação: Maria Fernanda Rollo (IHC) e Ana Paula Pires (IHC)
Localização: Lisboa, Teatro Aberto - Câmara Municipal de Lisboa
Datas: 27 a 29 de Setembro de 2012


Curso acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico de Formação Contínua [25h] (a aguardar)

Ao longo da História as cidades têm sofrido, sob múltiplas formas, os efeitos das guerras, constituindo muitas vezes cenários de confrontos bélicos ou, mesmo não sendo palco de contendas, sofrendo inevitavelmente os diversos reflexos que uma situação de beligerância inevitavelmente acarreta. As cidades, pela sua natureza, constituem espaços próprios onde, na realidade, as guerras se sentem e exprimem de forma diversa e específica. De uma forma ou de outra, a guerra, em determinada escala, afecta todos os domínios da vida das populações, entre a mobilização mais ou menos intensa dos seus recursos humanos e materiais para frentes externas ou internas de combate e sobrevivência. Os seus efeitos são, por isso, observáveis em todos os planos e aspectos da vida nas cidades, em escalas e profundidades diferentes consoante a natureza do conflito, e os seus reflexos tendem a prolongar-se para além do termo dos confrontos armados. A cidade, no seu conjunto, é por isso inexoravelmente envolvida, desde logo ao nível da administração, confrontada com a imperatividade de adaptar a gestão da cidade às perturbações provocadas pela guerra, obrigada a encontrar e impor esquemas mais ou menos desenvolvidos do que genericamente se designa como economia de guerra. Entre cenários mais ou menos complexos e violentos de destruição e morte, a guerra afecta todos os domínios e vivências dos quotidianos urbanos. Desde logo, os efeitos provocados pela alteração das condições de fornecimento e as perturbações ao nível dos abastecimentos, provocam dificuldades junto das populações urbanas, suscitando, por um lado, mudanças no comportamento dos agentes económicos e sociais, nos mecanismos e regulação dos preços e abastecimentos, envolvendo até expedientes e recursos a formas menos legítimas no acesso a determinados bens mais raros ou essenciais; alterações que suscitam, como é evidente, sobretudo quando se ultrapassam determinados patamares, a degradação das condições de vida das populações, muitas vezes massacradas e vítimas da escassez generalizada ou da incapacidade de adquirir bens essenciais e que se vê presa entre fenómenos de fome e a viver em condições deploráveis e desumanas, em cenários onde com grande facilidade grassam fenómenos de degradação das condições sanitárias e se instalam doenças e epidemias, suscitando, também por essa via, a resposta das autoridades locais. Finda a guerra, o regresso à paz coloca novos e complexos desafios às cidades. Entre a vontade da reconstrução, as dificuldades que muitas vezes se mantêm, designadamente ao nível dos abastecimentos, procurando lidar com a complexidade de pôr fim aos mecanismos e instrumentos erguidos durante a guerra e a correcção das múltiplas perturbações, as cidades, as populações urbanas, procuram encontrar meios e soluções para o regresso à paz.

Enfim, é sobre essas múltiplas e profundas consequências e as vivências experimentadas em espaços urbanos em tempos de beligerância que se pretende reflectir no âmbito do encontro As Cidades e as Guerras, procurando contribuir para o aprofundamento do conhecimento e da compreensão dos impactos e das transformações operados nas cidades pelas guerras. O encontro reunirá abordagens diversas, beneficiando da contribuição de diversas áreas disciplinares, contando com a participação de diversos especialistas nacionais e estrangeiros.

Programa e inscrições: http://ascidadeseasguerras.encontroihc.pt/