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Nova-Velha Dança: Sessão na Incubadora d'Artes
Santarém
Incubadora d'Artes
Masterclass e performance
20 de Maio de 2017
16h00

Quarta iniciativa do ciclo 'Nova-Velha Dança', que decorrerá de Fevereiro a Junho de 2017, e que propõe uma visita a diversos contextos estéticos e sociais da produção coreográfica do Portugal democrático. O IHC é um dos parceiros da organização.

Programa:


20 de MAIO
16:00 - Masterclass, com Verónica Metello: É preciso dançar ou Como fazer acontecer
18:30 - Performances

Vânia Rovisco & Verónica Metello
Reacting to Time, portugueses na performance, 2017
com os alunos do Curso Profissional de Artes do Espetáculo – Interpretação da Escola Secundária Dr. Ginestal Machado.

Carlota Lagido
notforgetnotforgive, 1999

Sónia Baptista
Moustachu, 2002-16

Daniel Pizamiglio
Dança Concreta, 2016

Conversa com os artistas, António Olaio, Clara Menéres, Ana Bigotte Vieira e Verónica Metello

 

Nos anos 2000, pressentiu-se na dança uma vontade indelével de recuperação de arquivos, discursos, estéticas e corporalidades. Desde então, tem-se insistindo em “reenactments”, “reposições”, “reativações”, que reivindicam um presente trans-histórico, trespassado pela memória e por reflexões sobre o seu papel nas artes performativas contemporâneas. Muito disto se faz agora porque ficaram histórias por contar, coisas por registar, que assumem hoje contornos de contracultura não transmitida aos olhos da história oficial. Em 1984, dez anos depois do 25 de Abril, o artista António Olaio apresentava a performance Il faut danser Portugal, que significa literalmente, “Há que dançar Portugal”. Isto dez anos antes de Alexandre Melo questionar se os portugueses tinham corpo e já anunciando, ou exigindo, um conjunto de reconfigurações da experiência da corporalidade “nacional”, como defende o investigador e dramaturgista André Lepecki. Vânia Rovisco, artista multidisciplinar e bailarina, tem vindo a inquirir formas de transmissão de corporalidade num projecto de reacção temporal, alicerçado numa investigação sobre o movimento da performance em Portugal. Para este ciclo, a artista propõe transmitir o trabalho de António Olaio – Il faut danser Portugal (1984) aos alunos do Curso Profissional de Artes do Espetáculo – Interpretação da Escola Secundária Dr. Ginestal Machado. Sob a mesma batuta de “Há que Dançar Portugal”, convidam-se 3 artistas de 3 gerações distintas, cujo trabalho coreográfico se cruza com aquilo que poderíamos insinuar serem operações da performance para, através dos seus trabalhos, se refletir sobre esta relação. Carlota Lagido, bailarina-arquivo da obra de várias gerações de coreógrafos, apresenta uma das suas primeiras experiências coreográficas notforgetnotforgive, de 1999, originalmente criada para um wc masculino. Sónia Baptista – coreógrafa, bailarina e escritora – revisita um dos haikus (俳句), nome dado a uma forma curta de poesia japonesa, da sua peça homónima de 2002. Moustachu, Lamento da Mulher não Barbada, ou Ser Mulher é ter Pêlo Onde se Quer, dialoga inevitavelmente com a peça de Duchamp, L.H.O.O.Q., 1919, onde este acrescentava um bigode e uma pera à famosa Mona Lisa. Por fim, Daniel Pizamiglio, bailarino e coreógrafo fortalezense radicado em Lisboa, convoca o movimento da poesia concreta e uma certa ontologia da dança enquanto evento da efemeridade e do desaparecimento, na sua mais recente performance Dança Concreta, realizada no final do curso PEPCC do Fórum Dança, onde se cruza com Vânia Rovisco e Sónia Baptista. O programa é complementado com uma intervenção da investigadora Verónica Metello sobre a história da performance no território das artes visuais em Portugal, que dará azo a um debate alargado sobre a porosidade entre conceitos de dança e performance, com vários convidados, dos quais os artistas e percursores da performance em Portugal, António Olaio e Clara Menéres.

Mais detalhes, no evento do Facebook.

 

Sobre o ciclo:

NOVA—VELHA DANÇA é um ciclo, distribuído por cinco meses e composto por espectáculos, exposições, conversas e workshops, que 'parasita' a actividade cultural da cidade de Santarém. A programação, primeira de várias com organização da Parasita, uma associação local, propõe ocupar instituições e utilizar recursos já existentes – no caso, o Teatro Sá da Bandeira e a INcubadora d’Artes, articulando-se também com a Escola Secundária Dr. Ginestal Machado –, no sentido de valorizar os espaços e estruturas disponíveis e contribuir para o acesso generalizado às artes.

De Fevereiro a Junho de 2017, propõe-se uma visita a diversos contextos estéticos e sociais da produção coreográfica do Portugal democrático. Assim, se por um lado se apresentam trabalhos referenciais da chamada Nova Dança Portuguesa, por outro fomenta-se a produção actual apresentando peças de coreógrafos cujo trabalho se afirmou na última década em circuitos independentes.

Em paralelo, apresenta-se no Bar/Galeria do Teatro Sá da Bandeira a exposição/instalação Para uma Timeline a Haver, exercício singular de periodização e cartografia colectiva da dança como prática artística em Portugal na segunda metade do séc. XX. Este projecto, discursivo e de investigação, propõe-se a criar pontes entre o fazer da dança enquanto prática artística, a experiência de ver, e os contextos históricos e sociais em que tal acontece, através de conversas e a activação performativa da timeline em exposição.

Composto por apresentações mensais de espectáculos articuladas com discussões e partilhas entre os artistas e o público, laboratórios de transmissão, instalações e residências de criação dos projectos em estreia, NOVA—VELHA DANÇA associa investigação, transmissão e criação, constituindo-se como um momento privilegiado para observar de perto o panorama da dança contemporânea em Portugal, interrogando simultaneamente tanto o presente como o passado.

 

Pode consultar o programa completo do ciclo AQUI (PDF).