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Seminário "Imperialismo(s) e anti-imperialismo na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial: O caso de Macau"
Lisboa
FCSH/NOVA | Torre B, Sala 607
Seminário
23 de Março de 2017
14h00

Sexta sessão do ciclo 2016/2017 do seminário "Marcas do Império – Colonialismo e Pós Colonialismo na Época Contemporânea", organizado por Maria José Lobo Antunes (ICS), Mário Machaqueiro (IHC-FCSH/NOVA), Paulo Jorge Fernandes (IHC-FCSH/NOVA) e Pedro Aires Oliveira (IHC-FCSH/NOVA).

Oradora: Helena F. S. Lopes (University of Oxford, Reino Unido)

 

A Segunda Guerra Mundial marcou o pico e o princípio do fim do imperialismo estrangeiro na China no período contemporâneo. Diferentes cidades chinesas assistiram a uma interacção complexa de pessoas, ideias e acções imperialistas e anti-imperialistas durante a guerra na Ásia. Uma dessas cidades foi Macau, então sob administração portuguesa. Tendo em conta o contexto da história de imperialismo(s) na China desde meados do século XIX, a que será feita uma introdução, esta apresentação irá explorar a experiência de Macau como espaço de coexistência de diferentes dinâmicas imperialistas e anti-imperialistas durante a Segunda Guerra Mundial. Através de uma abordagem transnacional, esta sessão irá reflectir sobre a relevância de se procurar superar análises eurocêntricas daquele conflito, assim como a sua importância para compreender acontecimentos recentes na região da Ásia-Pacífico.

 

Sobre a oradora:

Helena F. S. Lopes é doutoranda em História no St. Antony's College, University of Oxford, financiada por uma bolsa de doutoramento da FCT. Licenciada em História pela FCSH/NOVA, mestre em Estudos Chineses e em Métodos de Investigação Histórica pela School of Oriental and African Studies, University of London. Foi visiting scholar no Institute of Modern History, Academia Sinica, em Taiwan. É investigadora colaboradora do IHC e investigadora correspondente do CHAM.

 

Sobre este ciclo:

Nos últimos anos tem-se assistido a um interesse crescente, no âmbito das ciências sociais em Portugal, por temáticas relacionadas com o colonialismo português e com as marcas que o mesmo deixou naquilo que designamos como pós-colonial. Áreas de investigação como a história, a antropologia e a sociologia, mas também os estudos literários e os estudos culturais, têm vindo a abordar o colonialismo e a guerra colonial nas suas mais diversas vertentes: a história política e militar do “império” e da sua preservação defensiva; a legitimação ideológica e as estratégias de representação ou de simbolização identitária do colonialismo; a construção e colaboração dos saberes científicos, particularmente da ciência antropológica, ao serviço da ordem colonial; as políticas coloniais de controlo e governança das populações; a manipulação do étnico e do religioso por essas mesmas políticas; as estratégias de resistência do colonizado e as lutas anticoloniais; as vicissitudes da inserção do sistema colonial português no quadro das relações internacionais; os impactos da experiência colonial nas trajectórias pós-coloniais da emigração e nos padrões de integração em Portugal dos imigrantes de países lusófonos. Se determinadas abordagens optam por focar aspectos específicos, como a mobilização dos aparelhos repressivos e da intelligence no combate aos movimentos nacionalistas, outras procuram desenvolver métodos comparativos de modo a inserir o colonialismo português na lógica global dos colonialismos europeus, identificando eventuais cumplicidades e a circulação de técnicas de poder entre os diferentes sistemas de dominação colonial. Muitos destes trabalhos de investigação têm vindo também a desafiar e a reconfigurar conceitos, repensando metodologias, ao mesmo tempo que questionam as próprias noções de colonialidade e pós-colonialidade.

Tendo em mente estes desenvolvimentos, o IHC e o CRIA vêm propor, com o presente seminário, um espaço de reflexão e de diálogo em torno das mais recentes linhas de investigação dedicadas ao colonialismo português. Investigadores nas áreas da História e da Antropologia apresentarão os resultados das suas pesquisas, numa óptica formativa que visa três objectivos:

- Evidenciar a actualidade, indissociavelmente científica e política, de uma abordagem do colonialismo em geral, e do português em particular;

- Ilustrar a pluralidade das formas de análise do objecto colonial;

- Mostrar a inovação conceptual e metodológica da investigação que se tem centrado na problemática colonial.