abril, 2018

24abr6:00 pm8:00 pmImpério RobustaSeminário Marcas do Império6:00 pm - 8:00 pm UTC+00:00 Avenida de Berna, 26Tipologia do Evento:Seminário

Fotografia de gãos de café verde

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Detalhes do Evento

Sétima sessão do ciclo de seminários “Marcas do Império – Colonialismo e Pós-Colonialismo na Época Contemporânea” 2017/18. Uma co-organização do IHC com o ICS-ULisboa.

 

Império Robusta: Café, Cientistas e a Construção do Estado Colonial em Angola (1898-1961)
Maria do Mar Gago (ICS – Universidade de Lisboa)

A produção de café tem sido apresentada na historiografia de Angola como um exemplo paradigmático de uma forma retrógrada de domínio colonial, e a coerção e violência dos seus regimes de trabalho forçado apontadas como a principal razão para o sucesso do café enquanto mercadoria imperial. Não tendo como objectivo negar ou apagar esta história de violência, esta comunicação oferece-nos uma visão alternativa. Pela mão dos cientistas somos levados às florestas onde o café era plantado, e onde não só europeus mas também africanos cultivavam esta planta, de acordo com uma trama histórica remota e intrincada. Os cientistas revelam-nos também uma estratégia imperial que tinha como objectivo modernizar os sistemas de produção existentes. A chave para desvendar esta história negligenciada é a forma como os botânicos e os agrónomos abordavam o café angolano, não apenas como “café”, mas como café Robusta. Esta pequena nuance, para alguns historiadores uma mera particularidade taxonómica, tem implicações sérias em termos de análise histórica. Nesta comunicação procurarei resumir os principais resultados da minha tese de doutoramento, na qual defendo que somente considerando as dimensões ambiental e tecnopolítica na história do Robusta em Angola podemos compreender, por assim dizer, a robustez do projecto imperial que visava transformar esta colónia num dos principais produtores mundiais de café.

Sobre a oradora:
É historiadora da ciência e filiada no Instituto de Ciências Sociais. Licenciada em biologia e mestre em história das ciências, doutorou-se em história no quadro do programa interuniversitário “História: Mudança e Continuidade num Mundo Global”. A sua dissertação “Robusta Empire: Coffee, Science and the Making of Colonial Angola (1898-1961)” usa os cientistas e o café para reflectir sobre a natureza do colonialismo português em África. História da ciência, história da tecnologia, história ambiental e história colonial cruzam-se numa narrativa que procura evitar interpretações a preto e branco da relação colonial, e versões simplistas (e top-down) da história agrícola colonial. Apesar de centrada em Angola, esta dissertação estabelece importantes conexões entre a história imperial portuguesa, a história de outras potências europeias e a emergência dos Estados Unidos enquanto poder hegemónico do pós-guerra. Em trabalhos anteriores interessou-se pela relação entre ciência e autoritarismo no contexto do Estado Novo.

Organização:
Linha Temática Colonialismo, Império e Imaginação Imperial na Época Contemporânea, IHC – NOVA FCSH
Grupo de Investigação Impérios, Colonialismo e Sociedades Pós-Coloniais, ICS-ULisboa

João Miguel Almeida (IHC-NOVA FCSH)
Maria José Lobo Antunes (ICS-ULisboa)
Pedro Aires Oliveira (IHC-NOVA FCSH)
Paulo Jorge Fernandes (IHC-NOVA FCSH)

Cartaz do seminário "Império Robusta: Café, Cientistas e a Construção do Estado Colonial em Angola (1898-1961)"

Tempo

(Terça-feira) 6:00 pm - 8:00 pm UTC+00:00

Localização

NOVA FCSH, Torre B, Sala T12

Avenida de Berna, 26

Organizador

Instituto de História Contemporânea da Universidade NOVA de Lisboa e Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

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